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«matança» de uma tradição Recentemente as pessoas que tinham suínos em casa para consumo próprio ficaram privadas de o fazerem devido à proibição instituída pela lei, facto assumido devido à falta de higiene e do modo de tratamento dos animais . Daí que a situação de uma aldeia Viana do Castelo suscitou a minha atenção porque detiveram isso como uma tradição há muitas décadas atrás. O dia começava cedo numa aldeia da Serra D’Arga, pelas 5h30 da madrugada os donos levantavam-se para preparar tudo para matar o porco. Pelas 7h30 as pessoas convidadas para ajudar chegavam, mais homens que mulheres porque um porco enorme exige força e precisão. Antes demais «matava-se o bicho» (sic) ,uma forma arcaica de dizer que tomavam o pequeno almoço, para se seguir a morte do animal que era realizada com as pessoas (cerca de seis) a segurarem com cordas nas patas e no focinho do porco e o «matador» fazia o seu serviço: perfurava o pescoço do porco com uma enorme faca. Posteriormente era necessário «chamuscar» o porco, que fazia com que se eliminassem os pêlos do animal porque a pele exterior também era comestível. ”Antes era com um «tojo» ou palha, nos últimos anos já era com o maçarico, uma botija de gás com um maçarico na ponta”,afirmou a D. Maria Pires. Tratava-se de uma tarefa efectuada essencialmente dos homens, que seguidamente exigia um pouco de descanso enquanto as mulheres lavavam o porco. A parte mais complexa era a abertura do porco, “ um trabalho muito chato e extremamente sujo, e ao mínimo descuido podia-se estragar tudo”, rematou o senhor Domingos Peixoto. Espetava-se a faca na barriga do animal de cima para baixo, com a intuição de se retirar tudo. As mulheres “arregaçavam as mangas” para lavarem as tripas, indispensáveis para se fazerem a enchida dos chouriços, enquanto que os homens ficavam a desmembrar o porco por completo, as chamadas pás, presuntos, unhas...Decomposto, a dona levava tudo para casa para que não estivesse susceptível às moscas. Sustinha-se o trabalho, os homens lavavam as mãos e as mulheres tratavam do tradicional almoço: batatas com bacalhau e um segundo prato de frango estufado com massa. A sobremesa era boca-doce ou arroz-doce, pratos tradicionais desta terra. Tomava-se o café, respirava-se fundo e mãos ao trabalho. No interior da casa, perto da lareira falava-se de coisas como o tempo ou da vida de cada um, cortava-se a carne aos pedaços para se fazerem os chouriços e chouriças, e dava-se um tempero mas “o segredo é a arte do dono” comentou a dona Maria. Após se ter concretizado essa tarefa, nesse mesmo dia enchiam-se as chamadas chouriças de cebola e as de celeirada ou também conhecidas como sanguíneas. No dia seguinte de manhã enchiam-se os chouriços e penduravam-se tudo no fumeiro, por cima da lareira para aí estarem expostos ao fumo de carunhos e loureiro durante cerca de 2 semanas. Um dia árduo de trabalho só poderia terminar com um merecido descanso a almoçar um delicioso arroz de sarrabulho e a conversar das mais diversas coisas, antes de cada um ir para a sua casa. Tudo isto não passam de tradições acesas somente nas memórias de idosos que relembram passados com convivências diferentes, que nos dias de hoje já não se efectuam. A
«matança» de uma tradição
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