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Nas Águas do “Paranazão”
Aqui e ali, os altos barrancos são interrompidos pelo estuário de afluentes do “Paranazão”, como o rio é conhecido. Os maiores estão do lado paraguaio. Os menores, meio escondidos entre o verde, precipitam-se em pequenas cachoeiras de encontro ao rio. Os prédios de Foz do Iguaçu são apenas pequenos pontos, cada vez menores, no horizonte norte da embarcação. Seguimos rumo ao sul, a favor da corrente. O Brasil fica para trás. À nossa esquerda, território argentino; à direita, paraguaio. Vista do rio, a paisagem surpreende. A mata, abundante em palmeiras, fetos e bambuzais contrasta com a roça ao redor de pequenos casebres, pendurados no barranco do rio. As rochas vermelhas das margens, que, em alguns pontos, parecem até talhadas à mão, dividem espaço com diminutas praias de areias douradas. Próximo à foz de uma ribeira, ruínas de pedra despertam a nossa curiosidade. Dispersos pela margem argentina, restos de antigas habitações e um trapiche abandonado jazem semi-encobertos pela vegetação. Durante todo o caminho, banhistas e pescadores, alguns deles Guaranis, acenam amistosamente, em sinal de saudação. O Iguassu Explorer reduz a velocidade e aproxima-se da margem paraguaia. Acostumados com o ritmo da embarcação, em princípio, não entendemos o porquê de tão brusca desaceleração. Mas basta um olhar ao lado paraguaio para entender o motivo: lá em cima, no alto do barranco, está a rústica casa onde Moisés Bertoni e sua família viveram por mais de três décadas, envolta por frondoso arvoredo. O lugar impressiona por sua beleza e tranquilidade. Ao escolher o local e construir sua morada, o cientista suíço, sem dúvida alguma, usou e abusou do bom gosto. Ancoramos junto a uma pacata praia de areias douradas, onde dezenas de borboletas multicoloridas nos dão as boas vindas. O desembarque é feito por uma estreita tábua que faz as vezes de cais. Daqui até a casa, são seiscentos metros de caminhada pela mata, barranco acima, até atingir a antiga residência da família Bertoni, hoje transformada em museu e administrada pelo Museu de Genebra, Suíça.. Texto:
Guilherme Dreyer
Wojciechowski. Antes da partida: O Triste Fim
de um Centenário Porto
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