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A Navegar: Dois Rios, Três Nações
O barco segue contra a corrente, no sentido inverso ao esperado, passando por baixo da ponte entre Brasil e Argentina para revelar-nos um novo ângulo desta gigantesca obra. Seguindo a corrente em direcção à foz destacam-se o verde das margens e o grande número de pescadores do lado brasileiro. Na margem argentina, surgem os telhados da cidade de Puerto Iguazú, antiga Puerto Aguirre, com sua avenida marginal ao rio até o obelisco que assinala os limites do país, junto ao rio Paraná. Tanto no lado brasileiro, como no lado inverso, na margem paraguaia do rio, existem obeliscos semelhantes, com as respectivas cores de seus países, os chamados “marcos” das Três Fronteiras. Neste importante ponto da geopolítica sul-americana, surge uma imponente construção, à margem brasileira, metade no rio Paraná, metade no rio Iguaçu, feito de pedras, madeira e arrojada arquitectura contemporânea: o Espaço das Américas, auditório construído para a discussão de temas latino-americanos e futuro parlamento do Mercosul. Visto do rio, o edifício parece-nos desproporcionalmente alto. Mas basta recordar as violentas cheias de ambos os rios, para entender o porquê de tamanha altura. Entramos nas águas do rio Paraná..
Texto:
Guilherme Dreyer
Wojciechowski. Antes da partida: O Triste Fim
de um Centenário Porto
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