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Bertoni: Vida Nova, Novo Mundo
Desiludido com a sociedade europeia de então e influenciado pelas ideias do anarquista russo Kropotkin, Bertoni decidiu tentar a vida no Novo Mundo. Em 1884, acompanhado pela família, embarcou rumo à Argentina, a convite do presidente do país. Instalou-se no norte, na localidade de Santa Ana, província de Misiones, juntamente com vários de seus compatriotas. Permaneceu na Argentina durante cinco anos, desenvolvendo seus estudos nos campos da botânica, zoologia, meteorologia, agricultura, biologia e etnografia. No entanto, ao reconhecer melhores condições de trabalho no país vizinho, o Paraguai, atravessou o rio Paraná e instalou-se naquele país. Fascinado com a população autóctone, os guaranis, desenvolveu vários estudos na área da linguística deste povo, culminando com a publicação do Dicionário Latim-Guarani. No ano de 1893, Bertoni fundou uma colónia à qual baptizou Guillermo Tell, em homenagem ao lendário herói suíço. Mais tarde, este local ficaria conhecido como Puerto Bertoni, próximo à actual cidade paraguaia de Presidente Franco, a qual Bertoni foi um dos fundadores. Mesmo vivendo em sua casa na selva, longe de tudo e de todos, o cientista continuava com grande prestígio entre seus colegas europeus, como prova sua farta correspondência com alguns dos mais proeminentes cérebros do final do século XIX e início do século XX. Incansável, desenvolveu novos trabalhos e disseminou a ciência nos países da Tríplice Fronteira, especialmente no Paraguai. Em 1896, fundou a Escola Nacional de Agricultura, em Trinidad, onde leccionou durante 9 anos. Em 1903, fundou a Sociedade Paraguaia de Agricultura, e, em 1910, defendeu o Paraguai com extraordinário êxito na Exposição Internacional de Agricultura, em Buenos Aires, Argentina. Em 1917, dois anos após a morte de um de seus 13 filhos (5 suíços, 2 argentinos e 6 paraguaios), Bertoni empreendeu sua última "batalha": o selo editorial Ex-Silvis (Da Floresta), pelo qual editou 524 publicações em 7 línguas, sobre os mais variados temas.
Doze anos mais tarde, com a família acometida por diversas
doenças, sua esposa, Stevia, foi enviada para Encarnación, rio
Paraná abaixo, para tratamento hospitalar. O próprio Bertoni caiu
enfermo, sendo obrigado a seguir em direcção oposta, para terras
brasileiras, rio Paraná acima. Morreu em Foz do Iguaçu, aos 72
anos, sem saber da morte da esposa, três semanas antes.
Uma de suas maiores descobertas, um adoçante natural a que os
guaranis chamavam Ka'a He'e, setenta vezes mais doce que o açúcar,
é utilizado até mesmo no outro lado do mundo, na longínqua Coreia.
Texto:
Guilherme Dreyer
Wojciechowski. Antes da partida: O Triste Fim
de um Centenário Porto
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