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Antes da Partida: O Triste Fim de um Centenário Porto
Estamos em Foz do Iguaçu, Brasil, Terra das Cataratas. Situada no local onde o rio Iguaçu, após precipitar-se formando as Cataratas do Iguaçu, lança suas águas no rio Paraná, marcando a fronteira geográfica entre Brasil, Paraguai e Argentina. Região de grandes rios e enorme riqueza, a Tríplice Fronteira, como é conhecida, utilizou-se de suas águas para o transporte de gentes e mercadorias durante décadas, registando um dos maiores índices de movimentação portuária da América Latina. O progresso trouxe as estradas e as pontes, para interligar os três países e facilitar os deslocamentos, pondo fim à glória e à fama de portos como Porto Meira, Puerto Aguirre e Puerto Presidente Franco. Daí o estado de abandono da antiga Alfândega do Porto Meira, à margem brasileira do rio Iguaçu. Durante muito tempo o único elo de ligação entre os brasileiros de cá e o resto do mundo, actualmente, seu cais é utilizado apenas para a realização de passeios turísticos. Descendo a íngreme estrada que dá acesso ao porto, podemos observar, de perto, as marcas de duas décadas de abandono: a mata volta a florescer, galpões e casebres são reconquistados pelo mato, pássaros e borboletas surgem à beira da estrada. À direita, um velho casarão em estilo colonial é habitado por uma família, enquanto vacas pastam entre cercados de madeira. Virando a curva, paredões de rocha, mata e as generosas águas do rio Iguaçu brindam nossos olhos com seu panorama. Mais adiante, o cais. Ao fundo, a Ponte da Fraternidade, entre Brasil e Argentina, que, ao ser concluída, em 1985, desviou o tráfego e deu o tiro de misericórdia no já fadigado Porto Meira. Estacionamos o carro junto a uma pequena capela caiada de cal, marca da devoção destes antigos marinheiros de água doce a Iemanjá, Rainha dos Mares (Nossa Senhora dos Navegantes). Sobre as rochas, parcialmente escondidas pela vegetação, citações bíblicas relembram a fé desta população itinerante que por aqui trafegava. Uma delas, particularmente, destaca-se das demais: Jesus, a pedra eleita principal da esquina, quem nele crê não será confundido - 1o. S. Pedro, c.2 v.6. Um enigma. Contornando os escritórios da administração portuária, hoje instalações de uma companhia que se ocupa da extracção de areia do fundo do rio Iguaçu, chegamos, enfim, ao motivo de nossa vinda a essas paragens: ancorado junto ao cais flutuante, o barco Iguassu Explorer espera-nos para singrar as águas da Tríplice Fronteira, em busca da história e do legado que um grande homem, o cientista suíço Moisés Santiago Bertoni, deixou para a humanidade e para os povos da região, nas primeiras décadas do século XX. Texto:
Guilherme Dreyer
Wojciechowski. Antes da partida: O Triste Fim
de um Centenário Porto
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