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Junto ao mar
Pode parecer romântica, bela, mas a profissão é dura. Rara, cada vez mais rara. Portugal, é um dos poucos países da Europa onde, ainda, se faz pescaria como antigamente. O final do dia prometia um bom churrasco ao relento. Os dias de Verão já lá vão, mas os dias de trabalho para quem trabalha no mar nunca terminam. “Só se o mar estiver mesmo revoltado”, afirma um dos pescadores, da praia da Caparica. Aquilo que poderia ter sido, apenas, mais um dia de diversão tornou-se numa aprazível conversa entre velhos lobos do mar e gente que só ali vai para apanhar restos de peixes, que saem das redes arrastadas pelos tractores sediados na areia. “É um trabalho duro, mas que nos dá um gozo enorme”, afirma João, alto, entroncado, com perto de 60 anos e uma pele morena de fazer inveja. O seu barco deixou as redes desde manhã cedo no alto mar, para que, ao fim do dia, se possa arrecadar o troféu de um dia de trabalho. “Há cada vez menos peixe”, afirma o velhote, de calção e t-shirt, apesar do frio de arrepiar. “Não é por causa da poluição. Também, se sente que as redes, com buracos cada vez maiores, deixam sair muito peixe”. Mas as coisas são assim, dizem. O cheiro a gasóleo dos veículos é intenso.
Contudo, o ar salgado sobrepõe-se a qualquer aroma que nos possa pôr mal
disposto, até mesmo o de peixe. Sob um pôr-de-sol e umas nuvens ameaçadoras, os
cerca de 20 pescadores e membros da família vão ajudando no trabalho.
Abre-se a rede, distribuem-se os baldes de plástico e, quando cheios, carregam-se para as traseiras dos tractores preparados para levar algumas dezenas de caixotes e quilos de peixe. “A sardinha e o carapau é o que apanhamos em mais quantidade. Mas aproveita-se de tudo. Se vier um polvo, um caraguejo ou uma sapatola, também podemos vender”, refere uma senhora, de luva de plástico na mão. Sobre nós, esvoaçam centenas de gaivotas esfomeadas. Foram elas, aliás, que deram o alarme para a chegada, à superfície, do peixe arrastado pela enorme rede. Vai depenicando aqui e ali, sem levar grande coisa, porque os humanos assustam e estão a guarda os locais mais importantes. Os companheiros dos pescadores acabam por abandonar o local, minutos depois do peixe desaparecer. O bando vai, e nós também. <% ShowRating %>
Antonio
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