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Pisam-se num almofariz, reduzindo-os a papa, os coentros (ou os poejos)
com os dentes de alho, a que se retirou o grelo, e o sal grosso.
Deita-se esta papa na terrina ou numa tigela de meia cozinha, que neste
caso fará ofícios de terrina.
Rega-se com o azeite e escalda-se com a água a ferver, onde previamente
se escalfaram os ovos (de onde se retiraram).
Mexe-se a açorda com uma fatia de pão grande, com que se prova a sopa.
A esta sopa dá-se o nome de sopa «azeiteira» ou «sopa mestra».
Introduz-se então no caldo o pão, que foi ou não cortado em fatias ou
em cubos com uma faca, ou partido à mão, conforme o gosto.
Depois, tapa-se ou não a açorda, pois uns gostam dela mole e outros
apreciam as suas sopas duras.
Os ovos são colocados no prato ou sobre as sopas na terrina, também
conforme o gosto.
*A açorda é, fora do Alentejo, o prato mais conhecido da culinária
alentejana.
Vai à mesa do pobre e do rico e raro é o dia que não constitui o almoço
do trabalhador rural.
Tem muitas variantes, mais influenciadas pela mudança de estações do
que, como é regra em cozinha tradicionais, de terra para terra.
É sempre um caldo quente e transparente, aromatizado com coentros ou
poejos, ou os dois, alhos pisados com sal grosso e condimentado com
azeite.
Dão-lhe consistência fatias ou bocados de pão de trigo, de preferência
caseiro e duro.
Acompanha-se geralmente com ovos escalfados, que também podem ser
cozidos, e azeitonas.
Muitas vezes, na água utilizada já se cozeu uma posta de pescada ou de
bacalhau.
Também pode ser acompanhada com sardinhas assadas ou fritas e, no
Outono, é muitas vezes enriquecida com tiras finas de pimento verde, que
se escaldam com a água ao mesmo tempo que as ervas, e acompanhada com
figos maduros ou um cacho de uvas brancas de mesa.
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