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Entrevista com José Augusto Carvalho “Abrir um livro é empreender uma viagem para um novo mundo. Fazer descobertas, obter conhecimentos, estimular o imaginário”. Através da leitura, pode-se viajar e adquirir um universo de conhecimentos, contidos em manuscritos, em histórias variadas, em obras de escritores, de todos os tempos, em jornais, em revistas, em periódicos..., que se encontram armazenados nas salas das grandes bibliotecas, espalhadas por diversas cidades. No século XIX, o Brasil abrigava uma das maiores bibliotecas da América.
Entretanto, quando Dom João VI voltou para Portugal, deixou aqui, no Brasil, o
seu filho Pedro, a cidade do Rio de Janeiro, a Biblioteca Real e o seu busto
esculpido em mármore. Mais tarde, com o tratado de Paz e Amizade, de 29 de
Agosto de 1825, Dom Pedro indemnizava a Família Real pelos bens e propriedades
deixados, no Brasil, a antiga Terra de Santa Cruz, e , dentre eles , estava a
famosa Biblioteca Real, que, desde 1822, tornou-se o maior acervo cultural da
sociedade brasileira.
Sabe-se que a leitura amplia os conhecimentos e nos leva além dos limites de tempo e espaço, permitindo que entremos em contacto com o espírito humano de todos os tempos – do homem primitivo ao homem dos dias actuais. No entanto, muitos ainda não descobriram o poder que tem o hábito de ler e o enriquecimento que ele proporciona à pessoa. A leitura leva o leitor a reestruturar as suas significações pessoais, e ele traz para fora algo novo, e assim, quanto mais se lê, mais se aprende. Porque é impossível separar a leitura da escrita, à medida que se lê, escreve-se melhor, desenvolve-se o potencial criativo, e, deste modo, acontece o encontro do homem consigo mesmo, com o mundo e a cultura. Muitos homens das letras e juristas famosos já disseram que o caminho para se ter uma sociedade melhor é educando seu povo. Cassiano Ricardo, em seu poema “Brasil- Menino”, exalta, de modo divertido, as diferentes culturas legadas de outros povos que ajudaram a formar a nossa gente. E, nas páginas de sua história, o Brasil menino registrou os seguintes acontecimentos de seu destino: quando fala do indígena, refere-se ao lápis vermelho, às matas brasileiras, com seus primeiros habitantes, no período do descobrimento; do português ao giz branco, a chegada dos descobridores e colonizadores; do africano ao carvão, e toda a sua trajectória da África ao Brasil. Também o grande jurista e poeta Rui Barbosa no poema “ Aos Moços “ diz que, quem possui a arte de aprender, procura sempre instruir-se, navega seguro pelas águas do saber, torna-se abastado nas posses e aproveita, com sabedoria, o seu tempo. Mas, hoje, podemos até imaginar qual seria a reacção dessas ilustres personagens, diante de tantos casos esdrúxulos que estão ocorrendo na nossa língua. Sabe-se que para escrever bem precisa ler sempre e, quem escreve, deveria saber o conteúdo daquilo que está sendo transmitido. Infelizmente, as coisas não são bem assim, muitas vezes, em redacções de alguns estudantes, esse problema acontece com muita frequência, pois o conteúdo do que é transmitido não está em perfeita sintonia com aquilo que está escrito. Agora, sobre o assunto, o crítico literário professor doutor José Augusto Carvalho pode esclarecer melhor isso para nós e, desde já agradecemos.
Trabalho no magistério desde 1959, efectivamente (comecei dando aulas na Escola Técnica de Vitória, da família Nagen – a directora era Dona Adelina. A escola ficava no alto do morro que se avista por quem se encontrava na antiga loja Mesbla que vai dar na Avenida Jerónimo Monteiro. Acho que lá funciona hoje a Escola Gomes Cardim). Sou formado em letras neolatinas pela Universidade Federal do Espírito Santo, doutorado em Linguística pela Unicamp e o Doutorado em Letras em São Paulo. Com a experiência que tem nessa área, o que se escreve por aí, está de acordo com a norma culta, quem lê encontra facilidade para compreender o que foi escrito? Escrever literatura é subverter a linguagem. Os escritores subvertem a linguagem, embora com conhecimento de causa. Autram Dourado confessa que lê a gramática de Júlio Ribeiro para desobedecer às normas com consciência. Escrever literatura é escrever diferentemente dos outros e não como os outros. Quem escreve nem sempre entende do que está escrevendo: Luís Fernando Veríssimo, na crónica “gigolô das palavras” mostra que não entende nada de gramática, e, infelizmente, se orgulha disso. Mário Prata escreveu ao ministro Paulo Renato uma carta em que, por não saber responder às 8 perguntas que no vestibular formularam sobre um texto seu, acha que o conhecimento exigido dos vestibulandos é inútil. Os exemplos são muitos. O que fazer para que os jovens de hoje encontrem na leitura prazer e, consequentemente conhecimento? Meus alunos adquirem o prazer de ler porque começo recomendando obras finas lhes interessem e prendem a atenção ( A Pérola e Ratos e Homens, de Steinbeck; O homem invisível, de H.G.Wells; as obras de José J. Veiga, etc.) O desembargador Manoel Rabelo até hoje lê e começou a ler quando era meu aluno. <% ShowRating %>
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