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Poesia de Mudança
De espírito inquieto e inquietante Luísa, uma mulher de 45 anos, quer projectar para o mundo os seus pensamentos, críticas, medos, angústias e vontades...tudo através da poesia. O primeiro resultado é a publicação de "Encontrei-me", uma recolha de textos produzidos desde tenra idade. Luísa Ramos - Desde criança que noto que tenho uma apetência para este tipo de escrita. Na Faculdade, tive um grande mestre de Literatura Portuguesa, António José Saraiva que, depois de ler alguns dos meus trabalhos, achou que a minha apetência merecia ser divulgada. Mas como miúda que era achei que as palavras daquele grande homem eram, apenas, resultado de uma empatia. Os tempos passaram-se e Luísa ingressou no mundo do ensino onde os próprios alunos questionavam, entre si, aquela professora tão diferente que conversava preocupadamente com todos, que rimava nas suas exposições de matéria, que ia para além do programa escolar e era possuidora de uma simpatia pouco comum. LR - Um dia tive a força de fazer uma recolha de tudo o que tinha escrito desde criança e achei que os textos estavam um pouco frouxos, mas que tinha uma certa capacidade para fazer rimar. Havia uma temática muito explorada nos textos, quase sempre toda ela de crítica social e muito, também, de desnudamento, do meu "eu", ali em texto. Portadora de mais de mil textos, esta professora seleccionou de forma profunda textos de carácter intimista, retratos de protótipos e valores socais e gritos de alerta para aquilo que lhe "dói" - o sexismo, o racismo, e coisas afins. LR - São coisas que eu retrato com muita dor e nostalgia. Falo de ideais desmedidos que os governantes do nosso país têm e que devem se rapidamente sanados sob pena do próprio ecossistema cair.
LR - O melhor anel de curso seria pegar num agrupamento de textos, que são meus, e pô-lo ao serviço das pessoas, quer ele fosse refutado ou aceite. quer fosse amado ou colocado de lado... Pensei que era para ela que escrevia e fiz esta selecção de textos.
LR - Quando vi os meus textos a irem nas mãos de um editor fiquei perplexa, nervosa, vermelha. Pensei que o mundo ia desabar...mas não desabou! Parece que Luísa, primeiro assustada, agora lhe ganhou gosto. Está agendado para Outubro o lançamento da obra "Maria Parda", uma história de 400 páginas que retrata o percurso no mundo de uma mulher de tez escura. LR - Uma mulher de África, lindíssima, vai sofrer todas as amarguras de um dia ter sido colocada, aqui, nesta Europa, que é velha, e que tem tantas coisas bonitas mas tantos valores morais esquecidos. O amor, a vivência humana, o conflito de gerações, desequilíbrios emocionais e os problemas sociais são os temas mais abordados pela autora que, ao retratar a vida, quer que o leitor pare para pensar. LR - Há uma ânsia de vida muito grande. Para os jovens a vida é uma aventura continuada, uma aventura fortíssima, não vêem o medo, não o sentem, e muito dificilmente o cheiram. E se não acordam depressa desta aventura magnânima mas que traz tantas coisas disfóricas por detrás, caiem rapidamente no labirinto e caiem sem possibilidade de se levantar, e mergulham também sem a possibilidade, também, de emergir de novo e dizer "eu estou aqui". A minha mensagem é esta: Acordem para as leis morais, esquecidas em favor de coisas fúteis e baratas como o vil metal que governa o mundo. Quem tem dinheiro tem força, quem não tem é colocado de lado. Quem tem uma cara bonita tem entrada directa no emprego, quem é mais marcado pela fealdade as portas são-lhe fechadas. "Párem" é o grande grito de alerta. É um grito de mudança, um desejo de que as coisas se equilibrem. LR - É urgente parar para pensar. Se os "verdes" estão aí para dizer que urge preservar o mundo, eu pergunto: porque não nascem os "azuis" para preservar os homens. Do que vale ter o mar e a terra se não tivermos preservado o Homem, na sua essência. Se o Homem morre, o ecossistema acaba por ficar abalado. "Ris quando devias chorar, Gritas quando devias calar, Exasperas-te, quando te devias amar, Perdes-te, quando te podias encontrar! (...) A vida não é o que tu fazes. Viver não é o que tu queres fazer, Viver é um estádio melhor. Viver é encontrar a paz interior, Viver é encontrar o profundo amor, Viver é eternizar uma amizade, Viver é fazer dos anos, um doce fado. Acorda, sem demora... Olha, a tua alma já chora!" (extracto de um poema de Luísa Ramos, em "Encontrei-me")
Cláudia
Rodrigues |
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