| ||||||||||||||||||||||||
|
|
O pecado capital de Sonio Cometi o mais grave dos pecados capitais, Rezas. – Revelou Sonio. Rezas, é o padre de Anões, uma aldeia algures a sul do arquipélago de Afora, nos subúrbios da minha imaginação. É uma terra pequena, habitada por anões, e onde todos os habitantes se conhecem e se estimam. - Tu mataste? – Questionou Rezas, incrédulo. Rezas e Sonio, como dois bons amigos de longa data, aproveitavam o fim de tarde para beberem um copo na tasca do Tascas e colocarem a conversa em dia. - Matei, Rezas... Infelizmente, matei. – Ripostou Sonio, enquanto se esticava de modo a poder pousar o copo da cerveja em cima do balcão velho, uma vez que, bem como todos os restantes habitantes da aldeia, Sonio era um homem pequeno. - E quem mataste tu, Sonio? – Perguntou o padre, intrigado com a aparente calma do amigo. O padre Rezas, conhecia Sonio, fazia muitos anos... Sabia que, até à alguns anos atrás, Sonio era conhecido por ser o mais sonhador dos homens da pequena aldeia de gente pequena. Vivia na luta constante pela concretização dos seus sonhos, apoiado pela namorada da altura, Esperanza, e pelo seu melhor amigo, Corágio. Entretanto, numa fase difícil, a sua vida levou uma reviravolta que coincidiu com o fim do relacionamento amoroso que mantinha com Esperanza e com o afastamento repentino do amigo Corágio. - Matei-me a mim mesmo... – Respondeu Sonio, para o alívio aparente da expressão facial do padre e amigo. A reviravolta na vida de Sonio, transformou-o num homem com medo de sonhar, conformado com o presente e temeroso em relação ao futuro... - O que queres dizer com isso, amigo? – Inquiriu o padre Rezas, preocupado com o actual estado psicológico e emocional do amigo... - Desde que terminei a relação com Esperanza e fiz Corágio afastar-se, morri... De mim sobrou somente este corpo e este nome... A minha essência foi-se para perto do Deus das Almas, desde então. - Vais ver que é somente uma fase difícil que há-de passar com o tempo. – O padre tentou apaziguar a infelicidade de Sonio. - Uma fase difícil que já dura sete anos. – Observou Sonio, com um ar derrotado. - Vou até à Fonte dos Deuses, queres vir comigo? – Solicitou a actual esposa de Sonio, que acabara de entrar na tasca do Tascas, propondo ao seu mais-que-tudo, uma ida até à egrégia fonte da aldeia, famosa pelas suas águas curativas. - Vou... Espera um pouco para me despedir do Rezas. Sonio despediu-se do padre e amigo, e após isso, saiu porta fora, de mãos dadas com a sua esposa Tristínia, a caminho da célebre fonte no centro da aldeia de Anões... REPRESENTAÇÕES DAS PERSONAGENS: Sonio – Sonho; Rezas – Lado religioso; Esperanza – Esperança; Corágio – Coragem; Tristínia – Tristeza; Tascas – Personagem secundária sem relevo representativo. <% ShowRating %>
Morreste, Amigo »»» |
|