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MEDO
Passeio pela calçada, onde almas temerosas se cruzam comigo, num bater
descompassado de corações que se escondem do mundo... Almas de pessoas cheias de
segredos temerosos, envoltos na escuridão de silêncios absolutos! Silêncio de
desabafos emergidos no fundo do espírito, cansados de ninguém os ouvir!
São almas de pessoas sem espírito para continuar a lutar... De pessoas que
desistem por medo do “que virá depois”... De gente que teme perder sem
compreender que mesmo as vitórias pedem sucessivas derrotas!!! São corpos que
transportam cabeças cabisbaixas, de dor abastadas, tomadas por uma possessão
irreversível de medos sem sentido... Evitam conflitos com manobras audazes,
transportando depois consigo, gestos irrequietos e assustados de medo dos
demónios que podem voltar a qualquer momento. Demónios que podem ser muitos e
que nos atormentam... Demónios que somos nós que criamos ao fugirmos das lutas
que são nossas... Demónios que nos vencem quase sempre!
O medo é, regra geral, o nosso pior inimigo e a base de todos os nossos
males. Sem medo, pertenço a mim mesmo; com medo, pertenço ao que me amedronta.
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