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 VIVER É NADA, SE QUISERES
 

Carpe diem, atitude defendida pela poeta Horácio e que consiste no usufruir do dia-a-dia, no aproveitar o dia, isto é, o momento presente.

Aquando de uma análise de pormenor ao quotidiano do mundo, o Homem constata que tudo está debaixo de uma neblina cravejada de suor, lágrimas e problemática, justamente porque o ser perdeu a noção do que é humanamente correcto.

Vive-se em pleno século da modernidade absoluta em confronto directo com tudo e com todos. O abismo e a indiferença espreitam a alma humana e absorve-lhe os mais secretos escaninhos. Por toda a parte – até nos espaços mais civilizados do planeta – o dramatismo passa e perpassa sem olhar a meios e atinge os fins ( o tom patético, sinistro e comovente, que resulta de comportamentos/atitudes assumidas) e faz do humano uma entidade pronta a guerrear contra a própria vontade de ser.

A morte espreita, está ali ao canto da esquina. Quem assume não a ter visto, só poderá sofrer de abulia; porquanto ela é visível, audível e estranhamente presente.

Aquando deste tipo de constatação, apetece ser fatalista, isto é, assumir que afinal o curso da vida está previamente fixado; mas num acto de consciência veloz e fácil somos levados a obedecer aos nossos sentidos aguçados e numa atitude sensacionalista, levar o Homem a viver em ataraxia, para alcançar ainda aqueles pós de vida com grãos de felicidade que o Universo tem para ofertar.

Numa ode feita a preceito, o grito de quem trabalha diariamente com pessoas é este: é necessário viver-se um dia como se fosse o primeiro e o último, cultivar nas 24 horas que o formam as sensações, viver delas mas sem extremos, porque tudo o que é elevado ao paroxismo custa, e tem um crédito por demais profundo que leva o eu a perder-se. Vivamos, portanto, à imagem do que preconizava Fernando Pessoa em Alberto Caeiro, o mestre, debaixo das asas de uma filosofia epicurista, porque se o fizermos todos os cantos terão os seus encontros e o Homem não carregará outro às costas nem denotará um estado de cansaço digno de registo. Contrariamente viverá para gritar que tudo o que existe; existe para fazer dele um ser candidato à bonança, ao equilíbrio e à magia.

Nesta espécie de hino à vida, apetece terminar – falando para ti Homem que tanto tens de social – que,

Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é NADA.
Fernando Pessoa.

É o meu grito de mulher/mãe, Homem aprende a viver rapidamente sob pena de caíres no seio de um mergulho débil que fará de ti, uma imagem daquilo que quiseste ou sonhaste algum dia ser!

 

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