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OS SONHO QUE EU NÃO QUERO
( parte 1 de 2 )
Mãe, dá-me de novo
aquela boneca.
Quero estreitá-la nos meus braços para me imaginar de novo criança, e
consequentemente esquecer todas as hecatombes que diariamente assolam o planeta.
Mãe, como eu queria voltar atrás no tempo e viajar – em viagem onírica - num
pássaro lindo por entre alguns quintais de uma qualquer aldeia.
Mas hoje tudo é tremendamente Mórbido e problemático, porque os
homens já perderam o sentido do dever. Hoje tudo é caos, terror, suor e
lágrimas. Mãe, lá no Céu para onde os deuses maiores te levaram, diz-me como é
que estas coisas são entendidas?!
Dialoga comigo, porque sinto uma nostalgia imensa e quase ardo
em febre de tanto buscar a resposta para uma questão: para quê tanta incógnita
no mundo, quando afinal tudo culmina na morte e com ela?! Mãe, quando partiste,
pediste-me que fosse sempre uma mulher/mãe exemplar, que espalhasse valores por
entre todas as crianças com as quais contraceno diariamente, mas afinal, como é
que posso pragmatizar o teu pedido, quando ao meu redor, tudo é horror, perda,
escuridão e lágrimas?!
Não imaginas, decerto quão brutal foi hoje mais uma vez a
assumpção da informação sobre a queda de mais um avião proveniente de New
York... dir-te-ei que o Mundo parou – de novo – para fazer uma introspecção e
dialogar com os deuses... será isto mais uma verdade feita pelos homens ou
viveremos de um sonho mau que nunca mais terá o seu fim?!
Questão da questão... dor da dor e a vida cada dia que passa vai
perdendo o seu sentido, porque caem aos milhares, os homens que ajudariam a
construir este universo pedra a pedra, gota a gota. Tudo está debalde e
supostamente preparado para o holocausto, mas eu tenho medo, mãe... tenho medo
de partir cheia de dor, e de não te encontrar aí nesse espaço idílico onde
decerto estarás, porque partiste na hora certa, no momento exacto, e não foste o
resultado da mão do falso amigo ou do horror da guerra.
Voaste mais alto, porque fora chegada a tua hora e à tua espera
estiveram decerto muitos dos teus amigos que mais ou menos dias de vida
contabilizada partiram para o mundo dos ecos surdos!
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