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SAUDADE DE CRISTAL
Olá... sou eu... quero que me vejas por detrás daquela colina e no meio
daquele roseiral. Sabes, subi à Via Láctea e estou feliz, porque finalmente
consigo ver-te, ter-te e pensar-te, sim pensar-te, porque conhecer a tua alma...
só agora que estou no seio dos Deuses maiores.
Ensinei-te um dia naquela capela à beira mar plantada que o nosso amor não
tinha quaisquer fumos nem lumes que pudessem eventualmente destrui-lo, assim
sendo, lembrar-te-ei que aquele enlaço é totalitário é tão infinito quão
infinitos são os abraços que te dou a toda a hora apesar de sentir que choras
baixinho. Vá, sê corajosa... olha a magia daquela estrela primeira, do
firmamento... sou indubitavelmente eu a guardar-te de tudo e de todos e a saudar
a tua face aquecida por aquela lágrima matreira que hoje vi, mal
acordaste.
Quero aquela firmeza de outrora aquele sorriso que sempre me encantou, quero
esses olhos de esmeraldas feitos sempre sorridentes e dispostos a aceitar que a vontade
de Deus se sobrepõe à vontade dos Homens. Amo-te acima de qualquer aguarela de
saudade ou de ausência e - hoje sei melhor do que nunca - que sou amado além
daquilo que é visível, palpável ou audível.
Sê sempre aquela mãe carinhosa e disposta a dar-te sem pedir nada em troca.
Vou contar-te um segredo... quando um dos nossos filhos pela manhã te abraçar
sou eu que te aperto no seio do meu peito ausente... sou eu que te envolvo - à
imagem de sempre - no meu ser cansado por te amar demais, logo quando receberes
aquele abraço, dá ao nosso filho não dois, mas três beijos suaves, porque um
sou eu que estou saborosamente roubando.
Vejo a tua dor, mas não a entendo, porque sei que és uma mulher de letra
maiúscula e sabias consequentemente que quando o Mundo nos separasse eu iria
estar sempre a teu lado, qual veado trepador, a olhar pelo teu futuro, pelo teu
hoje e a guardar-te das más imagens que o ontem te trouxe. Pensa em mim como
naquele dia em que trocámos aquele beijo adormecido, recorda-me no nosso leito
de melopeia e ouve aquele cântico que tantas vezes te disse: AMO-TE!
Vais prometer-me que não choras ao olhar o mundo, porque não tenho lenço para
se segurar as lágrimas, vais prometer-me que não te guias pelas condutas dos
"falsos actores", porque o mundo que criámos foi de justiça plena e
portanto regado de valores morais. A partir de hoje tu vais ser tu, igual a ti
sem quaisquer ressentimentos pela minha ausência, porque nunca a minha
presença foi tão forte nem tão constante. Pede aos nossos filhos que
"mastiguem" esta ausência conscientes de que quando algo correr mal
eu estarei por detrás do sol, da chuva ou das estrelas a provar que a culpa é
integralmente dos Homem desde que este não tenha objectivos de vida bem
definidos. Diz-lhes que hoje comando o nosso arsenal de vida e que quero - mais
do nunca - que a tua vontade de mãe seja respeitada... quero o teu sorriso
semeado de ouro e outras pedrarias, e para isso, eles terão que seguir aqueles
objectivos que tantas vezes, no recanto do nosso lar, foram saborosamente
dissecados.
Diz-lhes que os amo acima de tudo, e que se algum dia constatar que o atropelo
é consequência da imprudência serei forte ao ponto de os repreender e chorar
grossas lágrimas que me arrasarão a mente.
Quero paz... preciso dela e portanto sugere aos nossos filhos que sigam em
frente... que cumpram depressa aqueles projectos traçados a contornos de ouro
que eu quis sempre ver definidos... apesar de ausente estou presente para ajudar
com determinação... e o primeiro beijo de todas as manhãs de qualquer era
...sou eu que lhes dou... quente e forte à imagem do amor que sinto por dois
filhos que plantei com o maior querer possível.
Sê forte e diz tudo o que te disse - numa melopeia de letras - aos nossos
meninos. AMO-VOS!
ETERNAMENTE EU!
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