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O PROFESSOR DO SÉCULO XXI
 

Hoje, o mundo já não te conhece.

Perdeste as cores que outrora, faziam de ti um cidadão excelso, para esbateres a tua capacidade e autoridade num terreno pouco fértil.

Os avanços – a nível internacional – deram-se a vários níveis; todavia tu ficaste para trás. Falar de um professor em 2004 é falar de uma espécie rara cheia de abulia e outras doenças afins; um ser condenado a ser criticado a belo prazer pelo meio circundante, pela família e pela própria comunidade escolar.

Quantas vezes jovem - quando as coisas não te correm a preceito - encetas aquele jogo que eu tão bem conheço: foi ele pai, sabes foi o professor de matemática que não ensinou o que deveria. Disse que saia esta e aquela matéria, mas sabes ele, mentiu, porque ele é falso, tu entendes papá…! Estou perdido, toda a turma está perdida. Acredita que só houve 10 positivas baixas em 30 alunos. Diz como é que isto pode acontecer?! Terás respostas papá?

Num crer muito perto da necessidade de ficar em paz, aquele pai comum acredita piamente que o seu educando foi e é vítima de um sistema desarticulado, de um professor – ou de vários - que, em vez de praticarem a verdade, escondem-na atrás de um pano espesso e adiciona aos conteúdos que ministra um sem número de atitudes desconexas: marcas faltas a despropósito, falta a seu belo prazer, não suporta qualquer pedido de esclarecimento e é um falhado em termos sociais. Estas e muitas mais coisas são aquilo que definem hoje o mestre; definição feita por uma maioria acrescentada de alunos que têm necessidade – no seio da família – de serem desculpabilizados por as notas atribuídas no final de cada período não serem aquelas que a família aguardava, depois de haverem pagos tantas aulas extras a elementos de fora que, na óptica de muitos, será a possibilidade única de atingir o sucesso.

A falsidade embriaga os jovens, que expiados decerto por um aproveitamento menor, e relegados – muitas v4zes – para segundo plano mercê do desenfreado mundo do trabalho, vivem ausentes da família quase 10 horas por dia e, ao chegarem àquele seio … quando lhes é pedido o tal esclarecimento da verdade, acabam por cair no erro da desconexão. Dizem aquilo que lhes apraz, independentemente da sátira feita ao professor que, tantas vezes o afaga, denotando mais um estatuto de pai do que de mestre. No momento do confronto entre pais e filhos o mestre vai decerto perder.

Não se pode dizer que foram passadas horas a fio no namoro, que os dias se sucederam uns aos outros nos cafés fronteiriços à escola, que se foi ao Shopping vezes a amais, que em vez de se estudar, se navegou na NET em busca do amigo desconhecido e do namorado que se crê certo por detrás de um amontoado de frases, enfim…. Tudo serve para que a família continue a dotar-me das maiores capacidades e responsabilize a escola e o tal professor pelo insucesso.

Usar de falsa verdade é muitas vezes o único tubo de escape propício ao entendimento entre o jovem estudante e a família que enfurecida, corre cega à escola para creditar da instituição a negativa dado ao menino(a), a falta de atraso a despropósito ou até o teste agendado para o dia de anos do jovem! Um conjunto de coisas absurdas são proferidas pelos pais que, esquecidos da idade que hoje é a dos filhos, ainda fizeram pior do que eles (num tempo que o ontem calcinou).

A reflexão perfeita na hora correcta já não é feita. Não interessa. O que importa é despejar as raivas surdas naquele director de turma que pouco tem a ver com a situação descrita. Naquele momento do acerto são ditas tantas incongruências que, apetece tal como diz o poeta, «correr ao passado e ir buscar a criança que chora na estrada»; porque de facto hoje é fácil a voz do filho ser bem mais credível que a daquele homem ou mulher que doou a sua vida à prática do ensino.

Ser professor nos nossos dias é ser uma espécie de falso actor que deambulo ao acaso. Vive de opiniões feitas pela família, pelos explicadores, pelos alunos e é obrigado a reger-se por um sem número de normas que fazem dele aquele ROBOT que o aluno quer que ele seja.

Se eventualmente é desautorizado – lá diz o regulamento – que o aluno tem sempre razão, porque é julgado como comprador de dados e por consequência as certezas só ele tem; razão pela qual depois de um desmando do jovem, quem é castigado é ele, aquele que entra disposto a dar, mas que me troca é repudiado, mal interpretado e tantas vezes hostilizado.

Que mundo!

Se esta é a escola que se tem, deixem-me fugir para o Ontem, porque pelo menos lá eu aprendi a respeitar o homem ou a mulher que, de mãos dadas, com a minha família me ensinaram a crescer!

 

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