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Que estranho Natal 

Dói-te a maçã do rosto, pobre criança, conta-me o que te fizeram! Não acredito, o Homem só pode estar louco! Mas como fizeste para seres assim humilhado. Diz por favor, porque sinto arder em mim, uma espécie de raiva surda, que tem contornos tais, que eu própria desconheço?! Choras... é verdade, deitas rios de H2O e NaCl só porque te refutaram naquele lugar! Conta filho do mundo, conta-me tudo porque utilizarei todo o meu saber, para que se faça justiça. Espalharei a tua desdita num papel apropriado de modo a que o cidadão mais comum se comova da tua triste sorte.

Prometo-te que a fotografia que traçarei, será tal qual a imagem que me deste: o retrato de uma criança perdida que, esquecida de que não era de ninguém, fez de conta, isto é, ensaiou um passo dobrado, mas como recepção teve aquela bofetada dada com mãos que trituram e que marcam abruptamente.

Pois sei, aliás sempre adivinhei: estavas perto dele, daquele Pai Natal humano que brincava com os meninos ricos. Trazias rios de coisas para lhe pedir e furaste um amontoado de pessoas para lhe entregares aquele papel que a cega, a Tia Cruzes te tinha escrito há semanas para lhe entregares assim que o visses. E avistaste-o há pouco no meio daquele Centro Comercial, último modelo, onde vai quem tem dinheiro para comprar coisas lindas. É verdade criança, desconhecias que aquele lugar era o espaço dos afortunados e que quando transpuseste a porta estarias já a ser um forte candidato à saída forçada! Mas abriste o coração e a alma. Partiste por ali a dentro, olhando ao pormenor, tantas coisas excelsas que quase perdeste o sentido da sua existência. Imaginaste-te filho de um grande actor, senhor do mundo, e conseguiste inclusive ver-te portador daquele grande écran de televisão daquela montra adornada de aparelhos de alta tecnologia. Pois é, sabes que até esqueci que vives na rua e dela, e que se vês qualquer imagem só a recebes através das vitrines; porque as televisões que decoram quase os 4 ou 5 quartos de uma qualquer casa portuguesa, tu não possuis. Pobre menino de ninguém! Mas vamos ao que interessa. Pois bem entraste, e quando o descobriste julgaste que o sonho se tinha realizado. À medida que te aproximavas dele, empurrando tantos pessoas que serviam de barreira, gritavas que, desta vez ele não poderia se esquecer da tua pessoa. Deixaram-te passar, porque eras portador de um aroma a suor e as lágrimas, que eles nunca entenderão, e mal chegaste junto do homem de vermelho foste recebido com aquela bofetada dada de mão aberta e com a força bruta de um homem sem alma. Deixa querido, esquece que este mundo existe, e partamos para outro, porque a expiação virá não tarda. Ouve anjo do céu, o malvado é ele e não tu... o vadio está personificado naquele que te bateu, porque não te recebeu. Tu não vais ter este NATAL aquilo que dizias querer no papel, mas Jesus escutou-te e terás além de brinquedos vindos de sonhos, um lar para morar, o meu... AMO-TE, filho de ninguém!

 

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