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AMADO ADORMECEU
1913 – 2001
 

    Secou a fonte de HYPOCRENE, quando hoje, adormeceste... MESTRE! As ninfas do teu oceano vieram de soslaio oferecer flores e lavar-te, de mansinho, para o JARDIM DOS ARTISTAS! Colocaram-te uma coroa de louros, vestiram-te de branco e púrpura e numa roda multicolor... partiste céu acima coadjuvado, à esquerda e à direita, por mil aves que chilreavam um trecho excelso de MOZART! Muitos dos faisões do teu séquito beijaram os pés cansados de palmilhares rios de Terra para espalhar valores e obrigar o Homem a ser coeso e determinado. Muitas gaivotas beijaram as tuas faces níveas e disseram que foste qual « árvore que adormeceu de pé » e juraram ao pai, INFINITO que, na zona mais recôndita para onde te levariam jamais alguém te tocaria, porque serias feito Rei dos Céus, Senhor das Letras, Mestre das palavras e oferecer-te-iam o maior galhardete que um Homem pode receber – a eternidade pintada de letras e lições. As andorinhas que te cercavam dialogavam com o teu BRASIL e pediram ao teu povo clemência, porque a vida terrena é efémera e tu estavas deveras cansado de tantas « Garielas, Cravo e Canela », que escreveste, tentando obrigar o Homem a parar para pensar, mas constataste, à imagem de muitos outros Mestres, que apesar do conjunto de vogais e consoantes que dissecaste o Mundo não se moveu, o Mundo... semeou Dor... Desalento... Guerra e Tormento. Disse-nos o Gavião que seguia à tua frente que o Brasil não ficaria de luto com a tua ascese ao Infinito, mas cairia na contemplação da tua leitura, na frescura das tuas descrições e narrações e, meditaria – com rigor - na obra que deixaste.

     Lindo foi o discurso do melro, quando te tocou, elevando-te em direcção do teu Deus... dizia que homens como tu, que foste de sobremaneira amado, serão além da vida sacralizados e considerados pais da elegância, moral e virtude humanas. Ouviu-se, a determinada altura dos ditos de despedida, a tua voz solicitando ser cremado - e deitado num jardim - regado periodicamente ( junto da árvore que sempre amaste ); tudo isto porque sabias, decerto, que as tuas cinzas regadas seriam fontes de HYPOCRENE que o Brasil terá e de onde o Mundo beberá.

    Descansa em paz, Mestre ... e saúda os nossos escritores que saídos daqui - antes de ti - foram felizes e ficaram plantados em nós na visão dos textos, na audição da palavra e no palpar da recordação.

    Para nós ... a tua benção, Mestre e até um dia!

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