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DESCOBRI A TUA INFÂNCIA
NÃO VÁS BUSCAR A CRIANÇA QUE CHORA NA ESTRADA
 

Por detrás daquela paisagem linda revejo-te todos os dias. Menino de calção curto e olhar perdido navegavas por entre sonhos e fantasias. Sabias que quererias ser alguém, aspiravas a conhecer o mundo através da ciência. Havias escutado contos maravilhosos daqueles que embalam a alma. É verdade, foi este olhar cruzado pelo mundo que te levou a aceitar aquela sugestão:

- Serás aquilo que queres, mas tens que saber ser tu, tens que procurar crescer longe daqui, do nosso seio, porque afinal, por muitos esforços que se façam nunca conseguirei dar-te aquilo que queres. Ouviste esta resposta, mas era tua, já a conhecias de cor. Sabias à partida que não terias outro caminho senão aquele que te era proposto, e como quase sentias dentro do teu peito uma dádiva muito grande para com o teu senhor, resignado obedeceste! Partiste e eu vi! Deixaste para traz monte e vales; montanhas de recordações saudades daqueles com quem brincaste, do menino que foste, do filho que procurava sempre aquele seio forte e aqueles braços hercúleos, e com «a lágrima ao canto do olho» prosseguiste rio acima em busca do teu arsenal de concretização.

Quantas vezes, filho amado o teu interior não deu aquele gemido que eu escutei a milhas de distância! Sim ouvi a tua prece, porque por bem que estivesses faltavam-te as cores do arco íris, aqueles abraços de pétalas feito e aquele sorriso que tanto amavas. À noite, no embalo dos teus olhos querias voltar atrás, àquela casa marcada pelo tempo, pela tua meninice e pela infância que vias esgotada. Olhavas para ti - e num auto-retrato de pormenor - vias-te cada vez mais alto, mais homem, mas também mais carregado de saudade e pleno de expectativas que temias não poder concretizar. Vi - te de novo olhando a lua, recebendo as bênçãos do sol que queima, mas que te suavizava a alma. Choravas tanto, porquê?!

Hoje tenho a resposta. Tinhas falta de amor, de carinho, daquela ternura de que são feitos os doces e os meninos, porque tu eras só um moço com vontade férrea de prosseguir. Faltei-te na hora certa por estava atrás do sol posto, mas hoje... caminho sem atropelos e quero ver-te sorrir, esquecendo que queres o sol, um pouco da lua, e que para os adquirires não é preciso tanta solidão, tanta tristeza e tanta saudade! Sabes, a saudade não é própria das crianças, elas são a vida, mas tu tiveste-a em quantidade desmesurada. Quantas vezes - no teu leito - desenhaste e depois apagaste a linha dos teus sonhos, que passavam por falares do Rei ao Universo, e por seres alguém dentro do contexto social. Afinal tu és aquilo que quiseste ser, tu apesar de tanta linha cruzada daquele caminho que o mundo te obrigou a tecer, foste ponta de lança e goleaste o Mundo, ensinando a muitos que querer é só ter forças para vencer, porque é em nós que reside a luz, para que o mundo seja belo, justo e saudável. Já viste aquela janela, acolá perdida no alto daquele monte?! Sebes quem está por detrás dela?! Sou eu que além da vida, pedirei por ti e farei com que o Rei envie mil anjos para fazerem do teu mundo um espaço onde a felicidade seja rainha. Jamais estarás só nesta Europa que não te conhece, nem no mundo do Homem que teima em te maltratar, porque atrás de tens mil setas de luz que te levarão à escada da bonança, do poder e da força.

 

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