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O QUE OS HOMENS QUEREM EU NÃO FAÇO

( parte 1 de 2 )

Mãe, onde é a nossa casa?!

Mãe, já reparaste que tenho fome?! Quero ir àquele poço buscar água, porque o calor aperta e não aguento mais... responde, por favor! Mãe, ouve o teu filho, tenho sede, quero entrar no nosso ninho, quero abraçar-te, chorar baixinho, e tu... sim tu, nunca mais te decides a partir?! Anda mãe, por favor... é cedo, mas já é tarde!

O mano mais velho não o vemos desde ontem... o pai há duas semanas que está lá, sabes bem onde... atrás daquelas cortinas de fogo e nós dois precisamos de repouso. Vem ajudar-me por favor ou ao menos faz-te leve para que eu consiga soerguer-te e levar-te comigo. Olha, mãe estou ferido... ainda não tinha dado por conta... tenho uma perna desfeita, mas se queres que te diga não sinto a dor física. A única amálgama que me faz tremer é o pânico de te deixar aqui sozinha, porque vejo que tentas não acordar do sono que caíste faz duas horas.

Mãe sê forte, tudo vai ser diferente... prometo-te que quando for crescido vou tentar que os cientistas construam a vacina da paz e a hormona do bom senso, porque quero que os meus filhos vivam felizes. Estou farto de guerras, guerrilhas, de gritos, de ecos doídos de bombas longínquas e presentes, e acima de tudo, estou com medo de perder-te a ti, ao pai e à restante família!

Olho o céu e já não vejo as estrelas, porque as nuvens de fumo embandeiram-me o olhar e agora, neste preciso momento, até os ouvidos escutam o estrondo mais profundo de um eco bélico.

Mãe, tenho medo, tenho tanto terror, que quereria ser rico e partir para outra terra, porque apesar de amar demais o nosso canto, constato que tudo cai ao nosso redor sem que possamos fazer o que quer que seja.

Tenho tantas saudades de ir à escola... quereria tanto voltar a ver a Jamine e o Nissar, porque eles são meus amigos. Onde estarão eles agora?! Desde aquele fatídico dia que não os vejo, tenho saudades das nossas brincadeiras inocentes, dos nossos risos e gritos de alegria, vê bem... mãe, que até tenho saudades das muitas maldades que fazíamos à nossa professora e ao cão da nossa escola, o Baby que era tão molengão que até aborrecia. »»»

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