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ESCOLA, ... JÁ FUI
O TEMPO MOEU - ME A VIDA

( parte 1 de 4 )

Vivi durante muitas décadas doando o melhor de mim...! Fui mãe de muitos JOVENS, que se fizeram rapidamente HOMENS, e recordo com saudade exasperada que todos estes meninos, quais pardais de telhado – vieram até ao meu seio carentes de tanta sabedoria, protecção e amparo. Coloquei o meu orgulho de lado, para ser sempre, e em todas as circunstâncias, aquela protectora pronta a doar a todos o melhor.

Recebia DIARIAMENTE, logo pelas 8 horas e alguns minutos, meninos ensonados que fugiam até ao meu regaço sequiosos de um pouco de aconchego e partilha familiar e amistosa. Vivi sonhos infinitos com tantas crianças, que quase já não sou capaz de achar o sabor de um sonho...! Chorei tantas lágrimas singelas, porque os testes vinham negativos, que hoje quase já não reconheço o sabor de um dezoito ou de uma nota de dezanove valores... enfim, dei tanto de mim a tanta gente que mora connosco e que já – infelizmente – deixou este rio de alegria e vida, que é com muito pesar que vos conto um excerto de uma alma – A MINHA!

Nasci há muitos anos. Fui pensada ao pormenor por um arquitecto sonhador, e no fim acabei por ser, qual sereia de Neptuno, o orgulho de uma equipa que me concebeu com AMOR! Toda a modernidade fazia parte do meu esqueleto e assim vivi durante muitas décadas (quase esqueci o montante) sempre preocupada com a minha postura e sobretudo com o «glamour» que urgia preservar. Eu estava ali linda, quase no coração da ESTRELA olhando de soslaio a BASÍLICA e fazendo-lhe, de quando em vez, uma reverência enorme. Cheguei em lindos dias de folga a auto questionar-me sobre a designação de MONUMENTO, porque na minha parca opinião, eu era quase isso, um pedaço lindo de História, de grande pé direito, de salas enormes e amplas janelas... de frontispícios excelsos, de traves encantadoras e até de vista deslumbrante sobre o Tejo cujas fragatas todos os dias me cumprimentavam ao longe.

Eu estava, de tal sorte vestida a rigor, que não me faltava um quase brasão na soleira da porta de entrada e todo o meu alegrete era uma espécie de pintura que me deliciava dia após dia.  »»»

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