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MULHER/MÃE
 

Mulher, seja qual for o teu patamar na escala da concretização dos ideais enquanto progenitora, aqui vai a sugestão para que o alívio que pretendes, seja uma acção de limpeza nessa alma já tão magoada pelas circunstâncias da vida, da família, da sociedade e do meio.

Se, naquele dia que se convencionou ser o teu, o filho que trouxeste ao mundo, deixou a estrada da vida e partiu para aquele espaço que se convencionou chamar de embalo total e de tranquilidade infinita, não te exasperes. Pára essas lágrimas, que ligeiras passam pelas faces que são tuas, e aguarda que a tua caminhada chegue ao fim, porque supostamente naquele dia que a viagem tiver o seu termo, chegarás à sua beira, e dir-lhe-ás tanto de ti e dele (a) que levarás em diálogo permanente longas eras, que nem saberás contabilizar. Por isso, acredita que não é promissor deixares que a nostalgia se abrigue em ti e faça da tua pessoa um ser doente, demasiado só, e problemático. Vai junto daquelas crianças que nunca conheceram pai e mãe, e fala-lhes da tua pessoa e das tuas memórias. Conta-lhes aquelas histórias que ainda hoje fazem parte do teu imaginário de criança, e com elas corre, dança, faz acrobacias, porque serás, de novo mãe! Não dele (a), mas daqueles que nunca entregaram as faces esquentadas pela meninice a quem as amasse de sobremaneira. Eles querem que estejas lá, que lhe fales das coisas bonitas do mundo e dos homens, e que lhes esquentes as faces com um beijo dado com fervor. Faz isso e verás mulher, que te sentirás aliviada. Deus no céu ficará feliz por perceber que entendes que a vida deve ser vivida com atenção de pormenor, tendo sempre como objectivo correr para concretizar o amor de quem dele carece. Sabes decerto isso tão bem quanto eu, só que naquele dia em que o teu menino (a) de ouro partiu, sentiste que tudo se esfumara e, escondida na concha da saudade e da nostalgia quase quiseste fazer-lhe companhia. Só que não é possível partir-se quando se quer, mas quando a história chega ao fim! E se o fizermos antes, de livre arbítrio, estaremos a desejar esquecer um fenómeno que em nada abona a nosso favor; contrariamente faz da pessoa uma recordação fútil, que será sempre apelidada de egoísta. Sabes, o tempo é curto, e por isso, nada te faltarás até que chegues ao final daquela volta ao mundo, que tiveste que dar, a partir do momento em que nasceste.

Se eventualmente, esta não é a tua história existencial, mas vives magoada porque o dia da mãe será celebrado longe dele (a) porque as necessidades económicas e/ou outras o (a) levaram para um espaço diferente, não te sintas destituída do teu poder e da tua força; porque apesar da distância ele (a) está incondicionalmente contigo. Espera, não te apresses. Chegará aquele telefonema na hora certa, para te dizer coisas bonitas. Escutarás que és a melhor mãe do mundo, aquela que jamais será esquecida e cuja distância faz com que o vosso amor seja ainda maior. Ficarás estarrecida ao escutares aquele timbre que tão bem conheces, e feliz ficarás consequentemente embaraçada, porque existem momentos em que a voz não sai, dando lugar àquele embargo que nunca saberemos explicar. Enquanto aguardas, olha-te ao espelho, põe-te bonita porque os olhos daquele (a) que trouxeste ao mundo, vêem-te sempre como a mais excelsa, a melhor de entre todas. Ser mãe é ter todos estes atributos, minha querida; portanto mãos à obra! Põe-te bonita qual jóia dentro de uma caixa de música. Diz-lhe que a distância não importa, porque o sentimento que vos une é maior que qualquer espaço físico. O amor move barreiras físicas e outras e, por consequência, conta-lhe, com aquele sabor a mel e a alecrim, que todos os dias, quando a alba aparece a (o) recordas com loucura!

Se o teu caso é outro, se por acaso estiveres longe da filha (o) que trouxeste ao mundo por questões que se prendem com o absurdo ou com a falta de explicação, fica onde estás, diverte-te com o sol, com a areia de uma praia deserta, e no espaço molhado escreve o nome do ente que trouxeste ao mundo, e em letras garrafais diz-lhe sem que ninguém veja, que a (o) amarás além das eras. Escreve ainda, que nada nem ninguém conseguirá apagar o sentimento que vos uniu naquele dia, aquando do primeiro contacto e do choro mútuo. Diz, e repete várias vezes ao mar ou à montanha, que queres a sua felicidade, e que apesar de o diálogo estar ausente, tudo está presente, porque o amor é de tal sorte incontável e indizível que, ficarás à espera que tudo se transforme. Acredita que num dia, e que quando menos esperares, a sorte fará das suas e ele (a) lembrar-se-á de ti, porque és cofre sem moedas, mas mereces, à imagem de quem como tu veio ao mundo, um naco daquilo que se chama amor de filho (a). Nunca desesperes porque Deus está contigo. Ele é o teu amigo, aquele que quer queiras, quer não, te ouve e sabe de sobremaneira que mereces mais. Dar-te-á um sorriso, não tarda, e se tardar deixa que se cumpra a sua vontade, porque tudo o que deves querer – enquanto mãe – é que ele (a) seja feliz!

Eu, eu sou aquela que sabe brincar com as palavras. Que tem todos os filhos do mundo, os ditongos, os contos, as narrativas, as histórias que são ensaios e, por isso, prometo-te que na falta de uma presença como essa que requisitas, olha aquilo que digo, aquilo que faço ou que fiz, e fico feliz a aguardar o devir. Sou feliz, porque passei para o papel a entranha forma de vida de um ser, que por parecer muitas vezes feliz, é invejado. Não importa, o que eu quero é que te lembres mulher, minha amiga que te convido a ser feliz hoje, ou então a relegares a tristeza para segundo plano, e a fazeres da tua vida uma espécie de poesia daquelas que fazem novos e velhos sonhar!

Recebe esta flor, que sem ter cheiro, tem cor de metal e sabor de paz.

Parabéns mulher mãe ou mulher que, sem querer, deixaste de ser!

 

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