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DALAI LAMA
UM PEREGRINO EM PORTUGAL

( parte 1 de 2 )

   Conhecem-se, hoje, todas as realidades bélicas. Tudo aquilo que é verosímil, doentio e nefasto entra-nos pela casa dentro e os consequentes comentários chovem de todos os lados. São os comentadores da televisão e da radio que, preocupados com a opinião pública, esclarecem durante o tempo considerado pertinente todas as ocorrências, descrevendo, relatando ao pormenor, narrando e criando no leitor/espectador uma espécie de união estreita, um quase ferro fundido com aqueles que « in loco » sofrem as amarguras de situações consideradas terríficas.

Dir-se-á que a política de esclarecimento social vai ao pormenor, e reforça através de um tabulado imenso de textos aquilo que – segundo a opinião pública – todos teremos o dever de conhecer. Urge que se diga – em abono da verdade – que muita imagística é difícil de mastigar pelos adultos quanto mais pelos mais pequenos; todavia os retratos de morte e de dor vêm em catadupa a toda a hora, permitindo que até os mais indefesos tenham acesso ao arrepio, ao medo e ao pesadelo.

Quantas crianças não se aninham, hoje depressa e bem, ao colo estreito de uma mãe, tão só porque têm medo daquelas cenas macabras que mostram o terror e o pânico feito pouco a pouco, pedra a pedra pelo Homem. São decerto milhares as vítimas inocentes de imagens tão desconcertantes e tão insólitas... e, se eventualmente muitas outras crianças não têm a oportunidade de ver – é tão só – porque a família ainda tem a capacidade de resolver as questões caseiras antes da horas das informações e, diga-se ( em abono da verdade ) que nos nossos dias, ser-se pai/mãe e conseguir-se trabalhando, concluir todas as tarefas antes dos serviços de informação é quase que ser portador de uma força física e moral Hercúleas.

Mas se nos consciencializarmos de que tudo é necessário e vital para fortificar o crescimento do indivíduo e preparar para a cidadania, eu colocarei, então, uma questão que considero ser perfeitamente retórica? Porque é que só as imagens macabras e sofridas chegam até nós, quando já temos um quotidiano tão exasperado, e porque é que não temos acesso directo a tantas outras fontes de informação de onde se inalem valores, que nos façam sentir – pelo menos por alguns dias – num oásis, uma numa quase ilha paradisíaca onde não falte o companheiro, a perfeição e a equação da verdade?!
É triste constatar-se que tudo aquilo que permite medir forças e puxar o Homem para o terror é fonte de informação, mas imagens de ordem moral como a de alguns homens bons, que o universo ainda possui, passam ao lado da fonte de vogais e de consoantes que o Homem utiliza diariamente para comunicar. »»»

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