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CAIU MAIS UMA PÉTALA D’ABRIL
 1914 - 2001 

    Todo o Homem é aquilo que preconiza SER.

    Durante 87 anos viveu Francisco da Costa Gomes que, de menino de ouro a cidadão comum, deu à família e aos amigos as alegrias a as tristezas próprias de qualquer criança. Adulto teve um percurso marcado pela rectidão, pela etiqueta e pelo conceito do dever, mercê da educação militar que recebeu. Costa Gomes viveu o suficiente para ver Portugal entregue a si próprio e longe das garras daquele Gigante Adamastor, qual Golias que amordaçava tudo e todos. Se a equação existencial foi positiva ou negativa pouco importa, porque durante décadas ninguém entendeu o que era Ser nem Ter... depois da alegria exasperada daquela manhã de Abril tão histórica que Portugal guarda nas zonas mais recônditas das suas memórias.

    Houve Abril em Portugal com flores e alecrim, porque houve militares – à imagem deste Marechal – que com determinação e amor quiseram honrar este espaço dando ao povo este canto que sempre lhe pertenceu. Disseram os guerreiros (os militares) que bastava de aguaceiro pertinente, de lamento dolente e de voz calada a muitas chaves, porque o Homem não nascera, exclusivamente, para ser qual «bête humaine», agente conquistador do bem do outro. O vil metal tivera dono, fala, força e galanteio, porque era marfim tirado dos ossos do povo que «talhava com seu machado, as tábuas do seu caixão», mas naquela madrugada solarenga tudo teve fim... o povo saiu à rua e viu plena de luz, qual majestade celeste e esculpida por mão humana, a LIBERDADE!

    A muitos portugueses de boa fé devemos a aquisição, deste bem maior, deste Direito Humano Universal tão esquecido no Sul da velha Europa e no seio do nosso país.

     De entre os muitos militares que equacionaram linhas de conduta e orientação para que a Liberdade não se esquecesse de nós, tivemos o marechal Costa Gomes, que adormeceu, definitivamente, hoje dia 31 de Julho de 2001. Com ele partem para o Mundo além do Homem, muitas imagens, ideias e formulários atempadamente estudados e trabalhados para que Portugal fizesse história na Europa, usando variantes diversas como a honestidade, a honra e a hospitalidade. Dir-se-á que, HOJE, voou até ao Céu , um agente histórico nacional que contará a Deus a História deste recanto que tanto precisa de ser ajudado. Lá longe, para onde o marechal trepou... estarão decerto, mil homens deste país... saudando-o e colocando-lhe muitas questões sobre os que ainda aqui ficaram ... e decerto que a sua resposta será: estão bem... mas que Deus os guarde!

    Adeus Marechal, descanse em paz, e diga a todos os poetas, artistas e sonhadores que o «QUINTO IMPÉRIO» far-se-á um dia... talvez não tarde...!

 

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