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CONSELHO FORA DE HORAS
 

Teremos que viver da paz e para ela.

Para que este percurso se faça é exclusivamente necessário que se aprenda a navegar no seio da auto análise crítica.

O Homem quer assumir hoje – em pleno século da modernidade – que tem um estatuto elevado, que é hercúleo em muitas áreas, e consequentemente, corre rio acima em busca da sua ascese sem olhar a meios.

Na ânsia desmesurada do crescimento, faz actos insensatos que mereceriam uma acesa reflexão, que fica sempre relegada por falta de tempo, mas continua – com todo o tempo do mundo – a facturar asneira sobre asneira e ganância consolidada com o suor de outros e o sofrimento de muitos.

Aberto o Livro da Vida toma-se rapidamente consciência de que o Homem vive da luta e para ela, mas que os Estados e as suas leis o levam a este estatuto desenfreado de louco adorador da riqueza, em âmbito geral.

Caminha-se, cada vez mais para o atropelo e para a prática do inconsciente. Veja-se: se uma criança tem cinco anos, são precisos testes de aplicação psicológica para se testar da capacidade de frequência do primeiro ciclo de estudos. Dir-se-á que só pode frequentar o ano um do ciclo, aquele menino ou menina cujo pai pode pagar para que o registo das suas capacidades seja testado pelo técnico aconselhado. Mas sempre esquecendo que, aquela ida ao psicólogo ficou na memória da criança, que se dispôs a passar uma dia inteiro a fazer coisas dos adultos numa espécie de passeio cultural e técnico que em nada a/o agraciou.

Numa fase posterior, a criança sujeita àquilo a que os adultos apelidam de testagem de capacidade, vai recordar ponto por ponto aquele dia, e todas as horas passadas defronte daquela pessoa, que lhe pedia tanta coisa sem que a conhecesse. Dirá aos avós que esteve com um senhor importante, que fez coisas e mais coisas, daquelas que se aprende na escola, mas que afinal, não foi para a escola dos grandes. Ficou com os pequeninos, porque… porque, não sabe bem. O problema é que um dia saberá, e esta pode ser a porta aberta para a crítica à postura do pai.

Digamos que é preciso que os pais tomem consciência de que não se pode utilizar a modernidade em tudo. Teremos que aprender a seleccionar os itens do progresso que nos entra todos os dias pela casa dentro.

Muita gente, crente que as ciências são para todos, e deverão ser utilizadas para mostrar que temos cultura e conhecimento à altura de um desempenho positivo, recorrem a todo o método considerado moderno, para que os avanços se façam mais facilmente. E daí a compra do carro com 250 cavalos, da máquina de secar, do esquentador inteligente e de tanta outras coisas, que fazem de nós entes descansados, porque o trabalho se faz tão rapidamente, que sobra tempo para tantas outras coisas. Todavia convém reforçar que no domínio humano tudo é diferente: não posso pôr cavalos-motor no cérebro de um filho, não consigo obrigá-lo a secar a memória, no momento em que deixei aberta a porta do escritório e ele ouviu dizer – pelo telefone à avó – que afinal, este ano, ainda não poderia ir para a escola grande, porque os testes ditaram da sua pequenez intelectual ainda. Estas são as coisas que não podem acontecer, são as situações que os ditos cultos criam, querendo provar à família e a parcelas da sociedade, que se sabe tudo, que se está esclarecido; todavia cai-se num descampado e num destempero enorme, porque o nosso filho ou filho jamais perdoará aquela conversa que escutou, e aqueles arabescos que fez e que não surtiram efeito.

Deixemo-nos de hipocrisias, saiamos debaixo das teias da sociedade da informação desmesurada porque, se se é sensato – culto ou não – temos que aprender a dosear as coisas e as atitudes e aprender a dizer NÃO, mas a nós mesmos porque as crianças essas precisam sempre que lhe expliquem tudo ao pormenor, quando não, serão vítimas inocentes na sua desaprendizagem.

Cuidado pais modernizados, cuidado homens e mulheres de hoje, se eventualmente tiverem que testar o vosso filho façam-no, na altura certa do momento correcto, porque se o Ministério da Educação exige que o técnico competente ateste da força do seu filho para a frequência do início da sua vida escolar, deixe que ele siga sozinha, e como cidadão grite alto às autoridades que o filho é seu, e que na altura certa, porque ele é uma criança e tem, por consequência que crescer sadia, conhecerá a casa do saber. Nesse dia sem testes, ele terá um amontoado de memórias que ficarão registadas no computador da saudade bordada a ouro, quando não, a caixa das emoções um dia registará isto…papá porque deixaste que pensasse que era desinteligente?! Aquilo marcou-me, sabias!

    Para nós ... a tua bênção, Mestre e até um dia!

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