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O ARCO ÍRIS
 CROMOTOGRAFIA

( parte 1 de 3 )

Olhei o mundo por detrás de uma montanha.

Linda, aquela aguarela que me foi dada apreciar. Vislumbrei ? do alto de uma cratera ? um tom rosa que dialogou comigo num monólogo encantante e, num tom quase birrento, foi-me dito que esta tonalidade existia, tão só, para marcar os momentos mágicos que qualquer Homem vive aquando da sua passagem por este planeta.

Na opinião sacra deste derivado, a sua luz irradiava paz, bom senso e justiça e por isso era a cor da criança, aquela com a qual se vestem os recém chegados, mais especificamente as meninas, porque personificam a melopeia, o encanto maior e a maternidade possível, décadas volvidas. É o tom puro da ternura mastigada pela beleza de uma qualquer sinfonia de amor vibrante.

Acabado o diálogo com esta variante encetei um enorme recital com o verde e este, senhor de uma pose indiscritível contou-me a sua história: disse que tinha nascido há muito tempo, que fora uma mistura plena do castanho e do amarelo, e que quisera vir ao mundo, porque o castanho era de timbre triste e o amarelo soava a marasmo, a nada e a mundo imberbe; logo havia sido receptivo à ideia de se deixar juntar e fundir numa galopante cor que mostrasse ao mundo a verdadeira analogia com a natureza, porque o verde é o tom dos campos excelsos, das árvores plenas de frutos, das montanhas dos vales verdejantes, e logicamente o Homem associou esta cor à vontade de se Ser e Ter, designou-a de ESPERANÇA, de viagem onírica num tempo além das eras.

Acabado o diálogo com sua majestade, vi descer por detrás de um pequeno vale carregado de feno e de alecrim o amarelo... vinha ríspido e zangado, porque havia conseguido auscultar aquilo que lhe fora pejorativamente dito. E num tom inebriante disse que era a cor das grandes quimeras, dos fogos altos que alcançam novos mundos e da massa pirotecnia que faz luz no céu estrelado. Disse ainda que tudo o que dá beleza ao manto da noite é seu, porque são suas as estrelas, a lua e até o próprio sol, logo nada além dele merecia o ceptro real.  »»»

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