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ANTRAX
 

O pânico assola o Universo.

O Homem construiu o mundo – passo a passo – levou séculos a elevá-lo aos céus e, de repente, quer destruí-lo sem porquê. Dir-se-á que a humanidade enlouqueceu, porque à custa da raiva e da retaliação, querendo medir forças com o MUNDO, o HOMEM desconexo, doente animicamente, e consequentemente distorcido da realidade, esqueceu que tem filhos, mulher, pai, mãe e outros que ama, e que serão, indubitavelmente, vítimas de todo o tipo de flagelo que o mundo vier a conhecer.

Antigamente gritava-se pela penicilina, porque só ela seria aquele mágico condimento para evitar a morte. Os laboratórios trabalharam mundialmente 24 sobre 24 horas para resolver problemas vitais, isto é, seguramente que o HOMEM sentiu, viva necessidade de dar vida à vida; mas hoje, contrariamente – e em pleno século XXI – quando o Homem quase ascende a Deus (permitam a expressão) é o mesmo Homem, racional que cava, fortemente, e com agrado a sepultura extemporânea de tanta gente inocente pelo universo inteiro. Porque é que se continua a investigar em prol da cura do HIV e do cancro... valerá a pena curar os doentes, quando se querem matar estes e ainda mais os sãos?!

O Homem está louco! Se percebermos, constatamos que – hoje - a guerra tem um fundo religioso, mas este é eufemístico, porque efectivamente o que a leva ao paroxismo é a força pela força ... é o querer do querer... é a luta pelo domínio mundial, pelos milhões e pelo comando universal. Ninguém quer ser inferior a ninguém... todos aqueles que chegaram a um elevado promontório não querem de lá sair, e em nome de Deus (Sol, Luz, Vida) plantam-se sepulturas de terror e de lágrimas.

Apetece gritar que não vale mais, a pena viver, porque o fim de todos nós está a chegar!

Apetece apertar um filho efusivamente e contar-lhe baixinho uma lindíssima história de embalar para que não sinta que a morte espreita.

Apetece sair de casa e percorrer rios de beleza ímpar, antes que a guerra biológica perca tudo, fazendo do Homem «... pó, cinza e nada» e das paisagens e espaços maravilhosas ilhas perdidas de peste, dor e desalento.

Apetecia pedir a Júpiter um Concílio para ver, se efectivamente, no Olimpo os deuses decretariam auxílio aos terroristas para encetarem a morte com a mote. Estou certa de que o pai dos deuses se recusaria a auscultar qualquer dos filhos que propusesse tamanha reunião, porquanto interná-lo-ia imediatamente. Até os céus, creio, pedem clemência ao indivíduo, porque se Jesus veio até nós para salvar a humanidade a esta hora (dia 15 de Outubro de 2001) deverá estar deveras chocado com a posição inóspita dos ditos guerreiros da paz, que utilizando o seu nome, vão cultivando os «homens bomba, os edifícios desfeitos, as mortes contrafeitas, os inocentes perdidos e as lágrimas caídas em cascatas, que quando o Homem acordar serão sinal de um largo rio plantado de nostalgia»!

Todos nós vemos nas crianças um Jesus, lindo plantado de paz, alegria e amor... todos nós temos consciência de que estes Jesus que andam perto de nós pedem-nos em surdina um pouco de amor , porque querem ver o sol brilhar, a chuva cair... querem crescer e saborear a vida, o verde, o mar e um serão ao luar de Agosto... isto é o que Jesus pede eufemisticamente ao Homem que equacione depressa, e não quer – de modo algum – a semente de pó branco mortífero à soleira de cada criança nem de cada indivíduo, porque odiar já é apanágio de loucura, mas tanto é Terrorismo elevado ao paroxismo... é mal do males... é inferno de viver!

Tenham dó... cultivem a paz, deixem-se de guerras, de ditos e contraditos, de promessas e de respostas e olhando para os Céus peçam perdão a Deus e para ele – que chora decerto baixinho – uma gota de amor, um abraço fraterno e o fecho de uma «carta maléfica que em vez de dizer AMO-TE diz MATO-TE»!

 

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