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ANJO DA GUARDA

( parte 1 de 4 )

Estava sozinha no recanto mais querido da minha casa, o meu quarto. Olhava, ao pormenor, todos os detalhes desde o estuque sem qualquer perfeição até à fotografia do meu pai, quando tinha 24 anos.

Parei estupefacta a contemplação daquela majestosa imagem, quando me apercebi de uma luz enorme que vinha devagar na minha direcção. Inicialmente, marcada pelo medo tremi bastante, mas confiante de que talvez sonhasse voltei a olhar para a fotografia; todavia a luz cada vez mais de prata direccionava-se para o centro do quarto levando com ela a minha atenção.

O coração quase me saía do peito, quando entendi que afinal, não estava em viagem onírica, mas que racionalmente tinha por companhia uma luz de prata, que mais parecia uma rosácea deixando penetrar no espaço a luz linda do dia. Saltei depressa da contemplação em que estava e num ápice vim até à porta do quarto para melhor perceber se seria um ovni aquilo que me acompanhava, mas mal tentei concluir o que quer que fosse, fui assolada por um paz interior de tal sorte que fiquei extasiada, porquanto de entre a luz vinha uma criança, loira e linda que transportava nos braços ebúrneos um ramo de rosas brancas que me oferecia. Tentei perceber porquê, e abeirei-me da luz, mas não me foi possível passar além dela.

Tudo parou à minha volta, porque de imediato várias foram as alamedas de colmos e laranjeiras que se abriram, para que a criança de olhos cor do céu percorresse um caminho de trilhos lindos na minha direcção.

Enquanto a caminhada se dava sincopadamente, eu tentava perceber quem vinha tão solidário ter comigo e porquê, mas não fui capaz de agarrar a realidade, porque vi – com furor – o sorriso mais belo do planeta extraído daquela criança que parecia tão igual a todas - não fora a espécie de fralda de pano branco que lhe envolvia a zona do abdómen.

Encantada perguntei-lhe devagar, porque estava ali e quem o enviara, mas como resposta o meu interlocutor ofereceu-me um sorriso excelso e encantador que deixou que eu voltasse a ver, de novo, uma cantata de luzes de prata lhe envolvia todas as faces. Andei devagar até à cama, e com uma atenção de pormenor, para não perder nada da aguarela, sentei-me em cima da colcha de seda cor de rosa e, ao meu lado, vi – de repente – aconchegar-se também aquela imagem angélica que eu já começara a amar.  »»»

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