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O MEU PAÍS ESTÁ DIFERENTE

Portugal está a perder a cor.

O azul celeste que caracterizava este país, esbateu-se no seio do Atlântico que o envolve. Hoje temos aqui, o espaço onde o nevoeiro habita em qualquer estação, porque o Homem deixou de se auto estimar. A corrida desenfreada à ascensão económica e social fez com que os bairros de Lisboa se esfumassem e dessem lugar a espaços que sendo do ontem fazem as delícias do hoje. Transformados, perderam as linhas com as quais haviam sido costurados e, velhos-novos expõem-se à vontade e aos objectivos exclusivos do cidadão do século XXI.

O país esqueceu que o Bairro Alto, a Mouraria e outros, são anciãos de Lisboa, que não querem - de modo algum  - renascer renovados. Convivem muito bem com a idade que têm e adoram mostrar que se mantêm vivos, apesar da grande idade que os assola. Fotografados no passado, são ainda hoje a memória da excelsa Lisboa que dava gosto visitar; porque agora num emaranhado de casas típicas pertença das gentes alfacinhas, aparecem com frequência, casas da moda, bares, cafés ultra modernos, isto é, edifícios restaurados que tiraram a vida e a beleza à capital que, se orgulha de ser idosa, mas bonita e sempre simpática, feliz e atraente. Se virmos uma sexagenária de mini saia todos os nossos olhos convergem para lhe facturarmos uma crítica directa. Então, porque é que, só criticamos o humano e esquecemos que - o que ele faz, a seu belo prazer - também é digno de sátira?! Não há dignidade quando se age assim. Não é de bom tom que se perca a noção do que é Cultura Nacional e que no seu lugar se coloquem estigmas de outras civilizações e de outras fontes.

Portugal é dos portugueses, dos do Ontem e dos do Hoje; portanto façam-se casas novas, e restaurem-se as doentes, mas com sentido nacional, mantendo a casta da cultura que fez desta cidade, uma das mais belas da Europa. Lisboa não pode ser a Babel! Levem este sentimento para outras cidades e deixem Portugal envelhecer sob a bandeira das quinas, que não deixa decerto, que lhe mudemos as cores. Se no Bairro Alto a taberna do Tio Xico passar a ser do Dr. Januário, pois senhor doutor... bem haja pelas aquisição; renove-lhe só a mobília e deixe que as costelas, o coração e o pulmão fiquem onde sempre estiveram, quando não, o estabelecimento deixa de ter razão de existir e de ser. Saiba que, se modificar o que foi feito em harmonia com os traços característicos desta terra, o senhor não criou, o senhor matou voluntariamente um espaço cultural que- por muito que pense que não - faz imensa falta a Portugal.

Prudência, senhor arquitecto!

 

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