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SINTRA, SAÚDE E VIDA Castelo dos Mouros, cidade plantada de história. É extasiante olhar estas muralhas marcadas pelo tempo e fazer analepses continuadas levando o imaginário a colocar, aqui, saltibancos, arlequins, momos, fadas e aristocratas. Recuando no tempo, vêem-se casamentos, baptizados, desamores e muitas setas atiradas numa ânsia desenfreada de posse; posse deste espaço majestosamente verde e ímpar que o mundo galardoou com o epíteto de "Património Cultural". É Sintra, cidade plena de história onde a nossa memória se perde na observação de torres, capitéis e muralhas. Ao entrar-se pela sua principal porta, olha-se perplexo o Palácio da Vila que fala ao mundo de um amontoado de heróis aventureiros que cheios de garra e força elevaram a bandeira nacional além do Tempo. Saídos do interior do palácio entra-se num Museu Natural de pincel, aguarelas e telas. Defronte o verde, conotativo da esperança obriga-nos a acreditar que urge que se faça, depressa, a preservação do ambiente, porque encostas como estas, que se vislumbram daqui, não podem estar condenadas de modo algum, às ditas "selvas de pedras" onde o Homem se estranha e desconhece. Se se fecharem os olhos vêem-se, em nostalgia, homens do século XIX passeando por ali, constata-se a magia de Eça deambulando com Carlos Eduardo, Cruges e Eusebiozinho por aquelas vielas extasiantemente belas. É verdade, Eça de Queirós pintou em "Os Maias" quadros, crónicas de costumes e com ele viajámos até Sintra e extasiámo-nos, quais personagens do século passado, por este espaço multicolor digno de tela de mestre. Viajámos do Nunes à Lawrence e chegados a Seteais foi o êxtase total, foi a constatação da beleza que a natureza oferece, sem pedir nada em troca. Linda a paisagem que Eça descreve e que, ainda hoje, é constatável, isto é, galerias de arte feitas de árvores, flores e frutos que Seteais oferece às mais variadas sensações. Tudo o que é excelso é trabalhado pela arte, e isto é uma constante, denotando que de facto Sintra é mais do que um canto físico magnânime, Sintra é canto de sereias, serenata de altruista, batuta de maestre, Sintra é monte de vendavais de onde a emoção não sai, e a prová-lo, veja-se que até Fernando Pessoa, o guerreiro e o mestre da poesia contemporânea foi até ela num bonito chevrolet, para usufruir da paz ilísica que Sintra doa a quem se lhe oferece visitá-la. Lá no cimo e já aquém de Seteais temos o Palácio da Pena de onde a História emana forte cantos sem fim. Aqui Pena não é sinónimo de desgosto ou de dor, é contrariamente alegoria de paz, alegria, imensidão e flamância. É verdade, a Pena ergue-se majestosa e dialoga de mansinho com Lisboa, solicitando-lhe que os seus governantes a deixem continuar a ser o "Rosário do Tempo", a fonte inesgotável de artistas cujo quorum é impossível calcular. É importante que os Homens, maugrado os estados e o tempo, deixem que a Pena viva imutável contando a História com fidelidade e elegância. Sintra é, indubitavelmente, a cidade das viagens oníricas consecutivas, nela viaja-se às pradarias fantásticas dos livros para crianças, às florestas agrestes e belas do Brasil, aos céus perdidos dos desertos e ao abraço das nuvens nos Pirinéus. Linda a aguarela que o consagrado pintor equacionou e que aquele ignoto rapaz traçou a carvão. És musa camoniana, és fonte de Hypocrene onde o mundo bebe d'amores. Aqui sorve-se a sede da paz, o gosto de se ser bucólico, aqui é-se gente, porque se vive e não se vegeta. Sintra é qual estátua colossal, uma das grandes Maravilhas da bandeira das Quinas, que quando hasteada diz "Que bonita que és, Sereia minha!"
O Teu percurso »»»
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