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A jornada do auto-conhecimento

É cada vez mais frequente em meio a nossa atribulada sobrevivência, esquecermos dos verdadeiros significados da vida. Acordamos pela manhã, tomamos café, lemos os jornais, pouco conversamos – devido a falta de tempo – e vamos em busca do cumprimento de nossos compromissos, sejam eles quais forem. Assim como, é cada vez mais comum utilizar-se do espírito do individualismo. A ideia de que “pouco importa o OUTRO, decididamente, o que importa, somos NÓS”, está cada vez mais sendo difundida, seja pelos cidadãos comuns, ou seja pelos meios de comunicação em massa. Talvez o único momento em que realmente possamos pensar, é no de momento que antecede o sono, antes de dormir.

Passamos uma parte significativa de nosso tempo preocupados com os problemas alheios, que acabam tornando-se nossos: a guerra dos Estados Unidos, os conflitos no Oriente Médio, as fraudes políticas, o tráfico internacional de drogas, a bolsa de valores, entre outros. E, de fato, fazemos parte destes problemas. Isto é, a partir do momento que os alimentamos, que deixamos com que faça parte de nossas vidas, eles passam a figurarem em nosso quotidiano.

Você então pode se perguntar: mas como posso tirar estes problemas do meu dia-a-dia, já que eles são tão presentes? É muito simples. Basta para isso, não repassá-los adiante. Conta uma fábula milenar que certa vez, no antigo império Chinês, havia um soldado do exército que era responsável pela guarda particular do imperador. Basicamente, sua função era vigiar o palácio e alertar toda a cavalaria, caso surgisse algum intruso que pudesse ameaçar a integridade de seu Mestre.

Tudo poderia ser comum, ou seja, tudo poderia transcorrer de maneira normal neste império, se não fosse um problema: o soldado temia o que, na verdade, não existia. Qualquer coisa para ele era motivo de desconfiança, assim como para muitos de nós, habitantes desta nova era.

Na realidade, o soldado não gostava da noite. Ele sabia que é justamente nestes momentos que nossa coragem é posta em prática, uma vez que é fácil, na luz do dia, enganarmos os outros com palavras. Mas é impossível, a noite, nos momentos de solidão, enganarmos a nós mesmos e a nossos pensamentos.

Certa noite, então, o soldado foi confrontado com seu próprio medo. Não haveria escapatória, uma vez que o outro soldado, que geralmente ficava no seu lugar, ficou doente, e ele era o única que restara de sua tropa. Em um certo momento da madrugada, ele começou a ouvir vozes de erros passados que acreditava ter cometido, gerados pela sua própria mente. Sem mais nem menos, começou a gritar incessantemente, pedindo desculpa por estes actos que acreditava ter cometido.

De tão alto que gritou, o próprio imperador levantou-se de seus aposentos e foi vê-lo. No outro dia, ciente de sua paranóia gratuita, o imperador expulsou aquele soldado de seu batalhão, pela covardia que havia apresentado na primeira noite que havia ficado sozinho. Dias depois, inexplicavelmente, o imperador faleceu. Ficaram sabendo, anos depois, que aquele soldado era o único do qual o imperador sentia total confiança. Ao ver sua covardia, sentiu-se desiludido e inseguro e morreu.

Podemos concluir então que, por causa de nossos problemas, na ânsia de nos livrarmos deles, delegamos nossas responsabilidades a outras pessoas, que nem sempre estarão ao nosso lado e que, às vezes, nem mesmo estando ao nosso lado, elas estarão preparadas para receber certas responsabilidades.

De tudo isto, o que é mais dramático, é que o mundo caminha em torno do repasse de problemas, como forma de liberdade. Quando, a única e verdadeira liberdade só pode ser alcançada dentro de nós mesmos, com a solução de nossos próprios medos internos.
 

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