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SALVAR A LIVRARIA LUSOFONA DE PARIS ! Situada no coraçao do quartier latin, quem nao conhece a Livraria Lusofona ? Quem nao conhece o Joao Heitor, proprietario da Livraria, militante da lingua e cultura portuguesas, companheiro da vida associativa e amigo do seu amigo ? Todos conhecem o Joao Heitor, um homem que nunca regateou esforços em prol da lingua de Camoes, que transformou esse pequeno espaço commercial num lugar de encontro, de cultura, de convivio, de comunicaçao e de apoio socio-cultural. Ouso dizer, e nao serei o unico a pensa-lo, que a Livraria Lusofona fez mais pela lingua e cultura portuguesas durante a sua existência que os Institutos Camoes, as Gulbenkians e "tutti quantti" todos juntos ! Por tudo isso, se ela fechar, sera uma perda irreparavel para a comunidade portuguesa, para a imagem de Portugal e para a nossa cultura. Sempre pensei que uma Livraria Portuguesa, criada por portugueses no estrangeiro, e em França em particular, nao poderia ser vista unicamente como um projecto comercial, e que deveria ter de Portugal um maior apoio a todos os niveis. Assim nao aconteceu durante a existência da Lusofona e do Joao Heitor, que sempre lutaram contra a corrente, contra as incompreensoes e o desinteresse, contra a falta de uma politica da lingua, e, sobretudo, contra o abandono e isolamento a que sao votados os que ousam reagir contra o deserto cultural e linguistico existente. Durante tantos anos de luta, para manter vivo o seu projecto, a Livraria Lusofona prestou imensos serviços à nossa cultura, divulgou os nossos melhores autores e interpretes, bateu-se para impôr a nossa lingua no espaço publico e cultural françês, propôs projectos e ideias, lutou contra o "estatuto raro" da nossa lingua.. Todos o sabem. Por tudo isso, os portugueses ficarao mais pobres se esse "canto português" desaparecer. Ficarão mais pobres e desamparados os nossos jovens estudantes que sabiam ter ali a voz amiga, o conselho adequado e o apoio que so ali podiam obter. Ficará mais pobre o movimento associativo, que tantas vezes a Lusofona acompanhou, em iniciativas culturais em toda a França, em exposiçoes literarias, em seroes de poesia ou em coloquios e conferências sobre a realidade cultural portuguesa e lusofona. Ficarão mais pobres também os franceses, e eram muitos, que vinham à Lusofona em busca da opiniao e do conselho competentes, que nao encontravam em mais sitio nenhum, sobre os mais diversos escritores da lusofonia. Portugal ficara mais pobre que Job, se deixar morrer esta Libraria, cujo papel e actividade, estiveram sempre para alèm do seu estatuto comercial. Nesta hora triste e dificil, para o Joao Heitor, para a Livraria Lusofona, para a comunidade portuguesa e para todos os que frequentavam esse espaço cultural, nao nos podemos contentar em chorar "lagrimas de crocodilo" ou em lamentar o que parece irremediavel. Devemos, isso sim, pedir contas a quem de direito, por nao esboçarem um gesto, para ajudar a Livraria Lusofona no momento dificil que atravessa, para que nao môrra !
Paris, 10 de Janeiro 2002
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