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A minha Terra Natal!

 

Vento! Leva as minhas lágrimas carregadas de saudade e espalha-as pelo meu país, diz-lhe que não o esqueci e que um dia regressarei.

Vento! Leva o meu conforto aos meus entes mais queridos, segreda-lhes bem baixinho que sonho todas as noites com o nosso reencontro.

As lágrimas caem-me sobre o rosto já cansado da distância, por vezes a vontade é abandonar este sofrimento e abraçar os meus filhos. Sentimentos que também me fazem lutar bem longe, para que um dia possa dar o que nunca tive aos meus herdeiros.

Por vezes vejo-me a olhar o horizonte e a viajar por entre aquele céu inconstante de humores, ora, azul e límpido, ora muito tempestuoso. Mas ...eu percorro-o na mesma, faça sol, faça chuva, lá vou eu na minha tamanha vontade olhar as ruas, as árvores, as mudanças, o passado e as pessoas da minha terra natal. O sorriso é de tamanho tal, que os meus olhos serram-se de alegria num sonho profundo até ao novo raiar do dia.

Vento! Vai...não percas mais tempo a ouvir os meus lamentos...vai...leva as minhas recomendações e o meu desejo de em breve voltar.

Vento! Se pudesses trazer de volta mais lembranças da minha terra!

Diz-me quantos Invernos já findaram? Quantas Primaveras já nasceram? Traz nos teus braços, bem embalados os sorrisos das minhas crianças e o desejo da minha esposa.

Quase que imagino, apesar dos anos já passados, as ruas da minha aldeia, onde raramente por lá passava um carro, onde o ar tão puro que se respirava nos contagiava de boa disposição.

Trabalho arduamente, de sol a sol, só para um dia poder voltar com grandes sorrisos, olhar para a minha gente, sentar-me numa mesa bem portuguesa e poder desfrutar das suas histórias, poder contar algumas das minhas e dizer a toda a gente:

_ “ Estou de volta, minha gente para não mais vos deixar. A saudade que nos corrói não vale o esforço da privação que temos por não ver-mos os nossos filhos crescer...por não apoiar-mos a nossa mulher...por não podermos cumprimentar os nossos vizinhos.

Minha gente... regressei à minha terra natal e jamais irei partir."

 

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