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Sombras
Por entre o nevoeiro, sombras esguias percorrem a rua, não temem, não sentem...simplesmente marcam a presença da ausência de muitos. Um sussurro por entre a noite um grito para fugir ao medo da escuridão, sintomas de almas perdidas com esperanças esvanecidas. Quantas sombras na sombra? De quem são estas sombras e para onde vão? Passo a passo, num rodopio confuso, elas vagueiam por entre os pensamentos mortais, muitas das vezes disfarçadas de vontades, anseios, medos, obstáculos imaginários. São o medo da existência, a vontade da odisseia e os obstáculos criados para ter vontade de caminhar. O seu esconderijo pode ser qualquer um desde que seja na noite que lhes alimenta a alma, será na rua se ninguém lhes abrir uma porta, ou no canto de uma casa, onde não possa ser reconhecido. São sombras do nosso esquecimento, de um passado não esquecido por não ter sido resolvido, de um presente mal delineado ou de um futuro ainda desconhecido. São sombras da nossa vida, ainda mal reconhecidas, escondidas com sorrisos e ironias ou simplesmente abandonadas ao juízo do destino. Umas ficam. Outras vão-se. Outras tentam penetrar na sua alma...mas em vão. O seu percurso é infindável, não têm princípio, nem fim, vagueiam simplesmente em ruas esquecidas por alguém. Serão fantasmas? Ou simplesmente receios? Podem ser o que a imaginação permitir que sejam, ou melhor, o que as nossas necessidades assim o definirem. As Sombras existem, permanecem ao nosso redor sob qualquer forma, podem sim ser renegadas por alguns tempos, mas elas regressarão SEMPRE. Voltarão enquanto não forem extintas com a verdade, enquanto não aceitar-mos a sua existência, mas enfim depois destas e outras sombras, criaremos com certeza mais e mais sombras, sejam sob a denominação fantasma ou simples medos e anseios. Sendo assim, haverá eternamente sombras nas nossas ruas, gritando ao nosso sossego, aplaudindo as nossas lembranças, e rodopiando num percurso vicioso onde só a verdade terá licença para entrar. Se tens uma sombra ou duas, talvez o melhor seja dar-lhe a verdade, pois caso contrário ela vinga-se com a loucura e passarás tu, um simples mortal a vaguear sem destino, à procura das fantasias que nunca se tornarão realidade a não ser nesse teu percurso ao lado da tua sombra. <% ShowRating %>
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