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Um Desabafo

 

Acordar sem saber ...sem conhecer com que um novo nascer do dia nos vai surpreender, poderá ser com melodia, prosa, filosofia, uma nova visão do mundo. Poderá ser com lágrimas ou com sorrisos de alegria. Mistério que se vai desvendando ao longo das horas que vão passando. Poderão passar demasiado rápido como um sopro invisível de entusiasmo ou demasiado lento como um percurso de caracol.
Mistério...mistério...Afinal o que é o mistério?.
Algo incógnito e inusitado, uma descoberta ainda por desvendar, um gesto, um olhar, uma lágrima ou um sorriso. Tudo aquilo que surge do vazio, da alma desconhecida, de um ponto de vista incomum ou diferente...simplesmente diferente.
Quando surge a noite, os pensamentos vagueiam, são poesia, um verso que acasala em rima, mas o que será realmente o pensamento?
Ideias comuns...talvez. Formas de pensar discrepantes... é muito provável. Os pensamentos variam de mortal para mortal, mas no fundo do abismo não passam de ideologias. Signos utilizados para que o humano marque a sua presença num espaço, numa comunidade, numa fase restrita da vida.
Estranho...muito estranho, pode até tornar-se confuso todo este conjunto de letras, que não passam de letras, que em acasalamento formam palavras, que por sua vez se transformam em comunicação. Pode até dar vontade de rir, de pensar ou de chorar, mas na minha humilde forma de estar na vida, penso que seja mais vontade de sorrir...sorrir para não dar a entender a incompreensão destes sons e a confusão na sua leitura.
Pensem, firmem os vossos pensamentos, consultem a vossa memória e transportem para o exterior toda a sensibilidade escondida pelos dedos que apontam da sociedade.
Vamos fechar os olhos por alguns segundos, ouvir o íntimo de nós próprios, quantas vezes ao dia nos predispomos a fazê-lo? Talvez nenhuma ou talvez uma vez por dia...sim...quando o nosso corpo clama o sossego, o descanso, e conseguimos ouvir uma voz em silêncio.
Afinal, quem sou eu? Quem és tu? Quem é o nosso pai e qual o seu suborno para aceitarmos ser quem supostamente somos?
Estou a rir, a rir como um ser desalmado, não posso crer que pertença a um conjunto de peças que são jogadas consoante uma lógica, um método e que por muito que diga que tenha... não tenho vontade própria.
Afinal quem sou?
Sou o destino de quem não sabe que tem destino. 

 

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