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Cascais - Terra de Reis e Pescadores! ...
Visita Guiada ao Museu Conde Castro de Guimarães Estamos em Novembro de 1892. Jorge O'Neill, um irlandês fascinado pela vila de Cascais, requere à Câmara Municipal licença para construir uma casa na entrada da Boca do Inferno, mas só em 1900 se inicia a construção da Torre de São Sebastião, mais tarde Museu-Biblioteca dos Condes de Castro Guimarães. A sumptuosa e espectacular mansão ergue-se numa fusão de estilos, retractando o gosto romântico do autor, o pintor Francisco Vilaça. Porém, Jorge O´Neill tinha um hobbie que o levou à ruína - o jogo de cartas. O gradual endividamento obrigou-o a vender a Torre de São Sebastião, com todo o seu recheio (mobiliário, quadros e porcelanas), ao Conde Manuel de Castro Guimarães, por trinta e seis mil escudos. Em virtude de não terem filhos, os Condes legam ao Município de Cascais a sua magnífica casa, com a condição de não voltar a ser habitada, funcionando como biblioteca, museu e espaço de concerto, para melhor servir culturalmente o seu país, e o desejo de fazer vigorar o nome Condes Castro Guimarães. Manuel de Castro Guimarães morre em Agosto de 1927. O Museu Biblioteca abre ao público em 1931. Na adaptação a Museu, preserva-se o ambiente de uma casa habitada valorizando-se, deste modo, a arquitectura interior e os motivos decorativos e integrando, harmoniosamente, as colecções artísticas legadas pelo benemérito e as que foram sendo adquiridas, no decorrer dos tempos. A visita pelo museu conduz-nos a uma viagem no tempo. O espírito e a alma de outras épocas inspiram um cuidado que se quer ter com o que são as nossas origens, os nossos antepassados. Depois de um passeio pelo vasto e envolvente espaço verde que rodeia a mansão, decorado com bonitos azulejos e um mini-zoo, sentimo-nos recuar séculos ao entrar neste edifício, plantado sobre o mar. No claustro, de ambiência hispano-árabe, sente-se a serenidade proporcionada pela água corrente, rodeada de arcadas e azulejos. Atravessando o claustro entra-se na Sala Amarela, cujo tecto ostenta o trevo irlandês, herança do seu primeiro habitante. Sobre a chaminé, o brasão dos Condes Castro Guimarães. Nesta sala encontra-se o retrato da última Rainha de Portugal, D. Amélia de Bragança, amiga da Condessa que vinha para os banhos de sol na praia, então privada, frente ao palacete. Passamos para a Sala Vermelha, ou de música, e deparamo-nos com o órgão que o Conde aqui instalou, de fabrico moderno, construído em Braga, com o qual dava concertos para os amigos e população de Cascais. Na biblioteca, sob um tecto de estilo gótico, conservam-se nas estantes obras de História, de Portugal e da Europa, sendo que algumas encadernações impõem brasões que remontam ao século XVIII. São cerca de 2 mil livros, uma pequena parte da colecção do Conde de Castro Guimarães que, ao todo, reúne 25 mil livros. Aqui, na biblioteca, encontra-se a mais valiosa peça do Museu, a crónica de D.Afonso Henriques, que data de 1505, sobre o cerco de Lisboa, escrita à mão por Duarte Galvão,. O poeta Fernando Pessoa concorreu para Conservador Bibliotecário, mas a sua candidatura perdeu para o pintor Carlos Bonvalot. Da biblioteca acede-se à Sala de Jantar, inicialmente um imenso terraço da casa. Nas vitrines expõem-se peças de ourivesaria, prata francesa e portuguesa do século XVII, porcelana chinesa e, de cada lado da fonte, dois jarrões da China com o brasão da família Sobral, do século XVIII. No Escritório, quadros de Cascais antigo enfeitam as paredes. Cristais e leques dos séculos XVIII e XIX ressaltam das vitrines. Subindo as escadas, até ao primeiro andar conhecemos a Sala Pequena, ou melhor, a Salinha de Chá, pois era aqui que a Condessa recebia as suas amigas para beber chá e conversar. O Quarto dos Condes tem as paredes decoradas com três colchas orientais: uma indo-portuguesa, bordada a seda sobre fundo vermelho, representando os cinco sentidos; outra, vinda da China, do século XVIII, bordada a seda e ouro sobre fundo azul; e a última do Japão. A Sala de José Figueiredo, assim denominada pelo seu recheio ter sido legado por este antigo vogal da Comissão Administrativa do Museu, era o antigo quarto de banho e de vestir dos condes. Passamos, ainda, pela Sala Indo-Portuguesa, vulgarmente denominada Sala dos Contadores, onde figura um misto de culturas. Na mesa, um búfalo em cobre com embutidos de esmalte, proveniente da China. Sobre os contadores indo-portugueses do século XVII, terrinas da Companhia das Índias. Na Galeria, expõem-se telas, algumas com a particularidade de provocar a ilusão óptica. Ainda as cadeiras estilo Luís XV e Luís XVI. E sempre que olhamos pela janela ou nos empoleiramos nas varandas a paisagem marca a serenidade e a beleza deste pequeno paraíso de Cascais. De um lado um belo jardim, do outro o mar que o tenta alcançar. Vale a pena uma visita prolongada, não só pela sua arquitectura fora do vulgar mas também pela sua riqueza artística e arqueológica. Aconselho vivamente que faça esta visita e que veja com os seus olhos o que aqui lhe contei, e muito mais. O Museu está aberto diariamente das 11h00 às 17h00, e fecha aos Domingos e Feriados. |
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